Caseína vegetal da Bettani mira mercado de muçarela de US$ 15 bi
Caseína vegetal ganha um novo capítulo com a estratégia da Bettani Farms, startup que acaba de patentear a proteína Caseed e direcionar seus esforços para a muçarela, fatia que representa 40% das 15 bilhões de libras de queijo consumidas nos EUA. A mudança pode abrir mercado para grãos de baixo impacto hídrico e ampliar a demanda por matérias-primas regenerativas que já interessam a produtores brasileiros.
Por que a Bettani aposta tudo na muçarela
Ao rebatizar-se de Climax Foods para Bettani Farms em outubro de 2025, a empresa trocou nichos caros — como blue cheese — por categorias de alto volume. Muçarela é a “jóia da coroa”: presença garantida em pizzas, sanduíches e pratos prontos, além de movimentar cerca de US$ 15 bilhões só nos EUA. Para atingir escala, a Caseed foi desenvolvida para imitar o stretch, o derretimento e o sabor suave da caseína láctea, mas usando proteínas extraídas de culturas amplamente disponíveis, segundo o CEO Sandeep Patel.
O plano de entrada prioriza o foodservice. Redes como &Pizza, Whole Foods Market e Apollo Bagels já testam versões iniciais, reduzindo a barreira de experimentação do consumidor — tática semelhante ao sucesso do leite de aveia nas cafeterias. Na sequência, a companhia pretende ofertar a Caseed a indústrias de alimentos congelados e prontos, ampliando o canal B2B.
Escala, patente e matérias-primas regenerativas
A Caseed tem patente concedida nos EUA desde março de 2025 e pedidos em análise em diversos países. A Bettani finaliza o self-affirmed GRAS — etapa regulatória essencial para ingredientes alimentícios — e já concluiu lotes-piloto com co-manufacturers que utilizam equipamentos convencionais de extração proteica, o que reduz investimentos em plantas sob medida. Embora a empresa não revele publicamente quais culturas usa, afirma que são “altamente regenerativas e de baixo consumo de água”, sinalizando oportunidades para sojicultores e produtores de leguminosas que adotam práticas sustentáveis.
Segundo a Embrapa Soja, a demanda por proteína vegetal com valor tecnológico agregado tende a crescer à medida que grandes marcas buscam rótulos “plant-based” sem comprometer textura e rendimento industrial. Esse movimento pode impulsionar cadeias produtivas focadas em variedades com maior teor proteico e rastreabilidade.
O que muda para produtores e indústria láctea
1. Novos contratos agrícolas: ingredientes alternativos exigem fornecimento confiável de matéria-prima com especificações técnicas rígidas, abrindo chance para cooperativas negociarem preços premium.
2. Diversificação de portfólio: laticínios que hoje enfrentam margens apertadas podem incorporar a Caseed como ingrediente ou firmar joint ventures para manter participação em segmentos de queijo.
3. Pressão por sustentabilidade: a redução de água e emissões de metano na cadeia vegetal pode virar diferencial competitivo em mercados que já remuneram baixo carbono.
4. Competição pela boca do consumidor: se a Bettani repetir o efeito “leite de aveia”, pizzarias e redes de foodservice poderão oferecer opções sem lactose sem sobrepreço, ampliando a aceitação massiva.
Com patente na mão, parcerias logísticas herdadas das aquisições de Hungry Planet, Numu e Stockeld Dreamery e lançamento previsto para “próximos meses”, a Bettani quer ser à muçarela o que o oat milk foi ao cappuccino. Para acompanhar mais análises sobre inovação, produtividade e rentabilidade no campo, visite nossa editoria em lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews
