Cafeicultura avança na Zona da Mata de AL com assentados
Cafeicultura em Alagoas recebe um impulso inédito: uma família assentada de União dos Palmares, na Zona da Mata, combinou técnicas de terraceamento ao acesso a crédito rural para implantar lavouras de café arábica e um pequeno beneficiamento próprio, reforçando renda local e diversificando a economia regional.
Crédito rural e terraceamento tiram o projeto do papel
Instalados no assentamento Santa Maria Madalena, os produtores recorreram ao Pronaf para financiar mudas certificadas, calcário e um sistema de terraceamento que reduz erosão em relevo acidentado. O método, recomendado pela Embrapa Café, favorece infiltração de água e protege a fertilidade do solo, fator crítico para quem cultiva em áreas antes dominadas por cana-de-açúcar.
A opção pelo arábica — variedade mais exigente, porém de maior valor — foi estratégica. Segundo o técnico responsável pela assistência, a altitude média de 400 m e o microclima úmido da Zona da Mata permitem colheita entre julho e setembro, período em que os preços tendem a subir, melhorando a margem de lucro.
Beneficiamento próprio agrega valor ao grão
Com parte do mesmo financiamento, a família instalou descascador, terreiro suspenso e uma pequena máquina de torra, reduzindo a dependência de atravessadores. O beneficiamento na origem deve elevar o preço final em até 30 %, estimam os produtores, pois o café sai pronto para o mercado local de especiais em Maceió e para cafés gourmets de Recife.
Além da renda direta, o projeto abre oportunidade para vizinhos do assentamento: o mini-beneficiador funcionará como prestação de serviço, cobrando taxa por saca e gerando caixa para manutenção do maquinário.
Exemplo que pode mudar a matriz agrícola da região
Tradicionalmente ligada à cana, a Zona da Mata de Alagoas busca alternativas após sucessivas crises no setor sucroenergético. A adoção do café, ainda tímida no estado, sinaliza diversificação que alia menor área plantada a maior valor por hectare. Técnicos do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) acompanham o caso e avaliam replicar o modelo em outros assentamentos.
Na prática, o ponto que mais chama atenção é a integração entre crédito, manejo conservacionista e agregação de valor, combinação que pode elevar a renda familiar sem ampliar a área de cultivo — desafio comum a pequenos produtores.
Para quem administra propriedades de perfil similar, a experiência mostra que acessar linhas de financiamento específicas e investir em processamento pós-colheita podem ser atalhos para escapar da venda de matéria-prima in natura e capturar margens maiores.
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Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
