Biodiesel impulsiona Comigo rumo a R$ 30 bi em 2032
Biodiesel surge como peça-chave no plano da Comigo para dobrar o faturamento e alcançar R$ 30 bilhões até 2032, estratégia que envolve ampliar a industrialização da soja, reduzir a dependência do grão in natura e gerar margens maiores para 12,6 mil cooperados em Goiás.
Nova esmagadora de soja exige energia e libera caminho para o combustível verde
A Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano já iniciou a construção de uma esmagadora de soja em Palmeiras de Goiás, investimento de R$ 1,3 bilhão. A planta deverá dobrar a capacidade de processamento, mas depende da solução de um gargalo energético apontado publicamente pelo presidente do conselho, Antonio Chavaglia. “Sem energia, o desenvolvimento trava”, alertou ele durante a abertura da Tecnoshow Comigo, em Rio Verde.
Ao resolver a questão elétrica, a cooperativa fecha o ciclo industrial: transforma soja em óleo, farelo e, na sequência, em biodiesel. Essa verticalização diminui a exposição às oscilações de preço do grão e eleva o valor agregado de cada saca produzida pelos cooperados.
Biodiesel completa a cadeia e mira mercado em expansão
Segundo o presidente executivo, Dourivan Cruvinel de Souza, já está em estudo uma fábrica de biodiesel em Rio Verde. O projeto aproveita o óleo gerado pela nova esmagadora para atender à mistura obrigatória no diesel — hoje em 14% e com previsões de alta — e também a oportunidades de exportação.
O movimento ocorre em um contexto de demanda recorde: em 2025, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produziu 9,84 milhões de m³ de biodiesel, gerando R$ 55 bilhões em receita. Ao entrar nesse mercado, a Comigo pretende capturar parte desse faturamento e fortalecer o fluxo de caixa para novos investimentos.
Meta financeira ancorada em produtividade e rede de serviços
Em 2025 a cooperativa apurou R$ 14,1 bilhões em receita, crescendo 25,5% sobre o ano anterior. A soja e seus derivados responderam por mais de 60% desse total. Para turbinar os números, o plano é combinar:
- Dobro da capacidade de esmagamento de soja;
- Abertura de pelo menos uma loja agrícola por ano;
- Construção de até dois armazéns novos a cada ciclo;
- Assistência técnica focada em elevar a média produtiva de 80 para 100 sacas por hectare.
Essa engrenagem conta ainda com 19 unidades de armazenagem, 20 lojas de insumos e uma operação específica para máquinas e implementos, garantindo escala logística e comercial aos cooperados.
Custos em alta e guerra dos fertilizantes pressionam margens
Apesar do cenário de expansão, a Comigo monitora riscos ligados ao custo dos insumos. Fertilizantes importados de mercados sob tensão geopolítica, como Rússia e Irã, subiram de 30% a 40% no último ano. “A margem não cresce na mesma velocidade que o custo”, reconhece Chavaglia. Ainda assim, ele reforça que a industrialização — com destaque para o biodiesel — é o antídoto para manter competitividade.
Para quem produz soja em Goiás, a mensagem é direta: quanto maior a participação da cooperativa na cadeia, maiores tendem a ser as sobras distribuídas, a previsibilidade de receita e a blindagem contra variações cambiais ou logísticas. Na prática, isso significa mais segurança para planejar a próxima safra.
Quer acompanhar outros movimentos que afetam rentabilidade e eficiência no campo? Visite nossa editoria de lavoura digital e econômica e fique por dentro das estratégias que estão redefinindo o agro brasileiro.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
