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Biometano acaba de protagonizar um marco no setor elétrico: a Cocal venceu o último Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), tradicionalmente dominado por combustíveis fósseis, e terá de ofertar 10 MW de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN), resultado que movimenta R$ 345 milhões em 15 anos e abre novo espaço para resíduos da cana-gerarem energia limpa e despachável.
Vitória histórica do gás renovável em certame voltado a fósseis
O LRCAP, realizado em março, buscava fontes “sempre disponíveis” para cobrir picos de demanda – característica que costuma barrar solar, eólica e até térmica a bagaço. Mesmo assim, o biometano da Cocal competiu em igualdade com o gás natural fóssil e conquistou dois lotes de 5 MW cada. É a primeira vez que um energético renovável vence um leilão de capacidade pensado para fontes convencionais, sinalizando mudança de rota no planejamento da matriz.
Quimicamente idêntico ao gás natural, o biometano é obtido após a purificação do biogás. No caso da Cocal, a matéria-prima sai da vinhaça e da torta de filtro, resíduos da agroindústria canavieira que antes geravam custos de destinação. Agora, tornam-se insumo estratégico para eletricidade firme, alinhada às metas de descarbonização.
Segundo a Embrapa, a produção de biometano pode reduzir emissões de metano, transformar passivos ambientais em receita e ainda reforçar a segurança energética rural (confira estudo técnico).
O que muda na prática para usinas e produtores de cana
A Cocal opera hoje uma planta de biogás em Narandiba (SP) – capaz de gerar energia ou biometano – e outra em Paraguaçu Paulista, dedicada exclusivamente ao gás purificado, com capacidade de 60 mil m³/dia para abastecer a própria frota. O novo contrato exige que, até agosto de 2028, ambas as unidades disponham dos 10 MW sempre que o Operador Nacional do Sistema solicitar. Fora desses picos, o biometano continuará sendo usado como combustível, ampliando a diversificação de receitas da companhia.
Para o produtor de cana ou gestor de usina, o recado é claro: resíduos agrícolas podem virar fonte de caixa e de eletricidade estável, característica valorizada em leilões de potência. A combinação ainda minimiza custos com diesel na frota e reduz a pegada de carbono do açúcar e do etanol – diferencial competitivo em mercados que já precificam emissões.
Investimento, números e retorno previsto
A adequação das duas plantas exigirá aporte de R$ 30 milhões. Embora gerar energia a partir do biometano custe mais que do biogás in natura, o preço inicial fixado no leilão – R$ 2.900 por MWh-ano – compensa a diferença, aponta André Gustavo Alves da Silva, diretor comercial da Cocal. A receita total projetada é de R$ 345 milhões ao longo dos 15 anos de contrato.
Hoje, a companhia já exporta 470 mil MWh-ano a partir da queima de bagaço, mais 35 mil MWh-ano via biogás e sistemas solares próximos às usinas. A entrada do biometano em “modo potência” reforça a matriz própria, dilui risco de sazonalidade da safra e coloca a Cocal como pioneira nacional na eletricidade renovável despachável a partir de resíduos canavieiros.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
