Beyond Meat aposta em bebidas proteicas após vendas caírem 19,7%
Beyond Meat abriu uma nova frente de negócios com a linha de bebidas “Beyond Immerse”, solução gaseificada com até 20 g de proteína que surge no momento em que a companhia vê a receita cair 19,7% no 4º tri de 2025. A aposta amplia o portfólio para um mercado considerado “menos controverso” e mira redução de riscos, logística mais simples e acesso a consumidores que buscam conveniência nutricional.
Mudança estratégica: do hambúrguer vegetal ao refresco proteico
Segundo o CEO Ethan Brown, a guinada não representa desistência da carne à base de plantas, mas uma forma de usar o “know-how” em proteínas e fibras em uma categoria com maior rotatividade. A Beyond Immerse chega com duas faixas: 10 g e 20 g de proteína, ambas com 7 g de fibra, 60 ou 100 kcal e adoçantes naturais (estevia e monk fruit). O produto, pensado também para usuários de medicamentos GLP-1, promete suporte à recuperação muscular, à saúde intestinal e à hidratação.
Logística simplificada e distribuição em fases
Brown destacou que ingredientes, cadeia de suprimentos e co-packing para bebidas são mais padronizados do que para carne alternativa, dispensando a necessidade de treinar fábricas terceirizadas do zero. Inicialmente, a bebida é vendida direto ao consumidor pelo e-commerce de teste da companhia. O cronograma prevê expansão para redes naturais regionais antes de chegar ao varejo de massa, aproveitando o reconhecimento da marca para acelerar gôndola e giro.
Números do trimestre expõem urgência da diversificação
No 4º tri de 2025 a empresa apurou US$ 61,6 mi em receita (-19,7% ano a ano), com volumes recuando 22,4%. A margem bruta ficou em apenas 2,3%. Em todo o ano, as vendas somaram US$ 275,5 mi (-15,6%). Nos EUA, a queda foi de 6,5% no varejo e 23,7% no food service; no mercado internacional, os recuos superaram 30% em ambos os canais.
Nesse contexto, a gestão finalizou a troca da maior parte dos US$ 1,2 bi em notas conversíveis de juros zero por US$ 209,7 mi em títulos garantidos a 7% (vencimento 2030) mais 317,8 mi de novas ações, aliviando a alavancagem, mas diluindo acionistas. A operação gerou ganho contábil de US$ 548,7 mi, impulsionando temporariamente o lucro líquido a US$ 409,9 mi, embora a perda operacional tenha atingido US$ 132,7 mi.
O que pode mudar para o mercado de proteínas vegetais
Ao ampliar presença em bebidas funcionais, a Beyond tenta capturar parte de um segmento avaliado em quase US$ 20 bi no mundo, de acordo com dados da FAO. Caso a escala seja atingida, ganhos de volume e sinergia de ingredientes podem reduzir custo de matéria-prima também para a linha de alimentos, abrindo margem para preços mais competitivos — ponto crítico para o avanço da carne vegetal.
Internamente, a companhia segue consolidando fábricas, otimizando um processo contínuo no Missouri e cortando linhas menos rentáveis. Brown acredita que, quando o interesse por carne vegetal retomar fôlego, a Beyond virá “mais enxuta, diversificada e pronta para prosperar”. Para o produtor de proteína alternativa ou fornecedor de ingredientes, o movimento indica que flexibilidade industrial e portfólio híbrido podem ganhar espaço frente ao risco de oscilações de demanda.
Movimentos como esse mostram como ajustes de portfólio e eficiência financeira podem sustentar a inovação em proteínas vegetais. Para acompanhar outras análises sobre rentabilidade e estratégia no agro, visite a editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews
