Artemisia annua turbina ganho de peso e saúde de tilápias
Artemisia annua pode se tornar aliada de peso para a piscicultura brasileira: pesquisadores da UFSCar, Embrapa Meio Ambiente e UEMS comprovaram que a inclusão desta planta medicinal na ração de tilápia-do-Nilo eleva o ganho de peso, melhora a conversão alimentar e fortalece a imunidade dos peixes criados em tanques-rede tropicais, reduzindo custos e riscos sanitários.
Ganhos produtivos acima do padrão em tanques-rede
Testes conduzidos em condições reais de cultivo mostraram aumento significativo no peso final dos animais e redução na quantidade de ração necessária por quilo produzido. Na prática, isto significa menos desembolso com insumos e maior volume de peixe pronto para o mercado no mesmo período de engorda — combinação que pesa diretamente na margem do produtor.
Segundo a pesquisadora Michelly Soares, da UFSCar, a performance superior está ligada aos compostos bioativos da Artemisia annua, capazes de estimular a digestão e o aproveitamento de nutrientes. “A suplementação natural atacou dois pontos-chave: crescimento rápido e eficiência alimentar, ambos críticos em sistemas intensivos”, explica.
Imunidade reforçada e menor estresse fisiológico
O estudo também registrou queda em marcadores de estresse e avanço na resposta imune dos peixes. Em ambientes confinados, variações de temperatura, baixa qualidade de água e presença de patógenos costumam abrir brechas para doenças. Com a planta, os peixes exibiram maior resistência, resultado atribuído às propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias do extrato.
Outro fator de destaque foi o equilíbrio da microbiota intestinal. Os compostos da Artemisia inibiram microrganismos nocivos e favoreceram bactérias benéficas, efeito que amplia a absorção de nutrientes e sustenta o desempenho produtivo.
Impacto econômico e tendência de bioinsumos na piscicultura
Além da produtividade, o uso de aditivos naturais atende à demanda crescente por sustentabilidade e redução de antibióticos. Ao substituir promotores de crescimento sintéticos, a Artemisia annua pode diminuir custos com medicamentos e aproximar a produção de protocolos exigidos por mercados mais rigorosos.
Para especialistas da Embrapa Meio Ambiente, a pesquisa reforça a tendência global de bioinsumos na aquicultura (confira detalhes no site oficial da Embrapa). Ainda assim, os autores alertam que novos ensaios em escala comercial são necessários para definir dosagens ideais, custos de formulação e impactos em sistemas com níveis de intensificação variados.
A expectativa do setor é de que soluções fitoterápicas como esta ganhem espaço, principalmente entre produtores que buscam diferenciar o produto final ou enxugar a folha de gastos com ração e sanidade.
Para seguir acompanhando inovações, manejos eficientes e notícias que podem mexer no bolso e na rotina do campo e da água, continue navegando pelo nosso portal.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
