Arroba do boi reage com demanda chinesa e acende alerta
Arroba do boi voltou a ganhar fôlego na segunda metade de março, quando os frigoríficos aceleraram as compras para cumprir a cota anual de 1,1 milhão t de carne bovina destinada à China. A reação elevou as cotações em quase todas as praças e deu alívio momentâneo ao pecuarista, mas também acendeu o sinal de alerta para os próximos meses.
Demanda chinesa virou o jogo no fim de março
Na primeira quinzena, o conflito no Oriente Médio travou rotas marítimas e permitiu que a indústria pressionasse o mercado, derrubando os preços. O cenário mudou quando a escassez de boi pronto no Centro-Norte, sustentada por pastagens em bom estado, coincidiu com o esforço dos exportadores para garantir espaço nos navios rumo ao mercado chinês. Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o ritmo maior de embarques devolveu poder de barganha ao produtor e levou os valores da arroba a novos topos regionais.
Risco de esgotamento da cota já preocupa abril
O mesmo movimento que sustentou os preços pode, contudo, inverter a curva ainda no primeiro semestre. Se a velocidade atual de exports continuar, a cota chinesa pode se esgotar entre maio e julho, reduzindo a necessidade de compra justamente quando devem chegar ao mercado os bois de confinamento. Iglesias alerta para possível queda abrupta se a porta se fechar antes do período de maior oferta.
Outro ponto de atenção é o foco recente de febre aftosa detectado na China. Enquanto o caso parecer isolado, o impacto tende a ser limitado. Uma disseminação maior, porém, poderia aumentar a demanda do país por carne importada, alterando novamente o equilíbrio global.
Cotações subiram até 4,4 % em março
No fechamento de 31 de março, o boi gordo a prazo era negociado a:
- São Paulo: R$ 360/@ (estável)
- Goiás: R$ 340/@ (estável)
- Minas Gerais: R$ 345/@ (+1,5 %)
- Mato Grosso do Sul: R$ 350/@ (+2,9 %)
- Mato Grosso: R$ 355/@ (+4,4 %)
- Rondônia: R$ 320/@ (+3,1 %)
Atacado firme, mas consumo migra para proteínas mais baratas
No atacado, o dianteiro fechou março a R$ 21,80/kg (+3,8 %), enquanto o traseiro chegou a R$ 27,50/kg (+1,9 %). A oferta curta de carcaças, direcionadas à exportação, ajudou a sustentar os preços. Mesmo assim, a demanda interna aponta para substituição por frango, ovos e embutidos, tendência que pode ganhar força caso o poder de compra do consumidor siga pressionado, destaca Iglesias.
Para quem monitora custos e receita da fazenda, o detalhe mais relevante é o timing: manter o olho nas escalas de abate e avaliar a venda antes de eventual recuo no terceiro trimestre pode fazer a diferença no resultado de 2024. Relatórios da Conab reforçam que o apetite externo segue decisivo para o equilíbrio de preços.
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Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
