Anomalia da soja: fungos ligados e manejo para conter perdas
Anomalia da soja voltou a preocupar produtores do Mato Grosso ao Sul do Brasil, com relatos de perdas entre 7% e 33% nos últimos ciclos. Levantamentos recentes detalham quais fungos estão presentes nas lavouras afetadas e indicam práticas que podem reduzir o impacto direto na produtividade e na qualidade dos grãos.
Fungos identificados reforçam risco em ambiente quente e úmido
Pesquisas da Fundação MT, Fundação Rio Verde e Embrapa confirmam que o fenômeno, também conhecido como podridão de grãos e quebramento de haste, aparece principalmente a partir do enchimento de grãos (R5.1). Sob temperaturas elevadas e alta umidade, foram isoladas espécies como Colletotrichum plurivorum, C. gloeosporioides, Diaporthe ueckerae, D. longicolla e Fusarium incarnatum-equiseti. Segundo nota técnica da Embrapa (2024), esses patógenos não são necessariamente a causa exclusiva da anomalia, mas agravam a deterioração dos grãos, elevando perdas econômicas e problemas de comercialização.
Dados de 60 amostras coletadas em Lucas do Rio Verde-MT na safra 2021/22 mostraram predominância de Colletotrichum e Fusarium, reforçando que o controle químico isolado dificilmente resolve o problema se não houver estratégia combinada de cultivar, época de semeadura e tratamento adequado.
O que muda na prática para o produtor
A recomendação de manejo parte da escolha de cultivares menos suscetíveis, medida que já reduziu a incidência em ensaios de campo. Quando o clima permanece úmido entre R5 e R8, especialistas indicam posicionar fungicidas registrados logo no início do enchimento de vagens, repetindo conforme o intervalo técnico. A dose deve seguir a bula, com boa cobertura de baixeiros para atingir vagens internas, onde o patógeno se instala primeiro.
Outro ponto crítico é o calendário de semeadura. Talhões plantados mais cedo ou mais tarde podem escapar dos picos de umidade, minimizando a combinação de fonte/dreno que favorece o desbalanço fisiológico observado na anomalia. Monitorar previsões meteorológicas e adotar semeadura escalonada ajudam a diluir o risco.
Para quem colhe sementes próprias, a triagem rigorosa e o tratamento industrial garantem menor inoculação do patógeno no plantio seguinte. Já na armazenagem, redução de umidade dos grãos para abaixo de 13% limita a evolução de fungos pós-colheita.
Produtores que enfrentam sintomas recorrentes devem consultar recomendações completas da Embrapa, disponíveis neste documento técnico, e alinhar o programa de fungicidas ao histórico da área. Para aprofundar outras estratégias de proteção inteligente da lavoura, acesse nossa editoria dedicada clicando aqui.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
