Alta dos fertilizantes ameaça safra e setor pressiona governo
Alta dos fertilizantes volta a colocar produtores contra a parede: o Sindicato da Indústria de Adubos do Paraná (Sindiadubos-PR) projeta retração de até 15% no mercado nacional em 2026, resultado direto do encarecimento dos insumos provocado pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, pela reoneração de PIS/Cofins e pela Medida Provisória do frete mínimo. O alerta pressiona Brasília a agir antes que o aumento de custos corroa a rentabilidade da próxima safra.
Queda de 15% acende sinal amarelo na cadeia de insumos
Levantamento do Sindiadubos-PR indica que a escalada de preços já reduz pedidos de compra e posterga negociações para a safra 2025/26. Se confirmado, o recuo de 15% significará menor oferta de nutrientes essenciais ao milho, à soja e ao trigo, com reflexo direto na produtividade média. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome; qualquer choque externo repercute imediatamente no campo.
A Rússia, maior fornecedora do insumo para o país, mantém embarques sob restrições logísticas devido ao prolongamento da guerra na Ucrânia. Agora, ataques no Mar Vermelho e a tensão no Oriente Médio, envolvendo o Irã, afetam rotas de potássio e fosfato vindas do Golfo. O cenário abre espaço para novas altas de frete internacional e prazos de entrega mais longos.
Peso extra de impostos e frete mínimo amplia custo na fazenda
A reoneração de PIS/Cofins sobre fertilizantes, em vigor desde março, adiciona até R$ 150 por tonelada dependendo da formulação. Paralelamente, a MP que mantém o piso do frete rodoviário aumenta o custo de transporte interno, sobretudo nos corredores que ligam portos do Sul e Sudeste ao Centro-Oeste.
Na prática, isso significa que um produtor de soja em Sorriso (MT) pode pagar entre 8% e 12% a mais pelo mesmo pacote nutricional usado na safra passada. Para os pequenos e médios, o desembolso extra consome parte da margem justamente no momento de compra de sementes e defensivos.
Entidades pedem pacote emergencial de estímulo e alívio fiscal
Diante da combinação de choques externos e custos domésticos, representantes do agro querem ação coordenada do governo federal. Entre as propostas que circulam em Brasília estão:
- Suspensão temporária de PIS/Cofins para fertilizantes;
- Crédito de equalização de frete para regiões distantes de portos;
- Agilização de licenças para projetos de produção de potássio e fosfato no país;
- Ampliação das linhas de pré-custeio do Plano Safra.
Segundo dados públicos da Conab, cada 1% de aumento no custo do pacote de fertilizantes pode reduzir em até 0,4% a área efetivamente semeada, caso o produtor não encontre liquidez para financiar o insumo.
Impacto direto na lavoura e caminhos para mitigar riscos
Para mitigar o choque, técnicos recomendam antecipar a negociação de adubos, adotar análises de solo mais detalhadas e ajustar doses à real necessidade nutricional. Estratégias de manejo integrado — como fixação biológica de nitrogênio e rotação de culturas — também ganham força para reduzir dependência de produtos importados.
O ponto que mais chama atenção é o efeito dominó: menos adubo hoje significa menor produtividade amanhã, o que pode restringir oferta de grãos em 2027 e pressionar ainda mais a inflação de alimentos. Por isso, o setor insiste que o governo anuncie um plano de curto prazo já nos próximos 60 dias.
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Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
