Agricultura dos EUA registra quatro anos de prejuízo com custos altos
Agricultura dos EUA caminha para o quarto exercício seguido no vermelho, combinação rara de commodities mais baratas e custos operacionais em alta que já drena cerca de US$ 50 bilhões da renda do produtor desde 2023, segundo economistas ouvidos pela National Public Radio (NPR) e repercutidos pela Record.
Do pico histórico ao aperto de margem
Em 2022, a lavoura norte-americana surfava preços recordes, renovava máquinas e quitava dívidas. Dois anos depois, o cenário virou. A soja, que rompeu US$ 16,40 por bushel naquela temporada, hoje negocia perto de US$ 11,00 — queda próxima de 40 %. Milho e trigo seguem a mesma trajetória. A demanda global arrefeceu, a oferta cresceu e a maré de caixa positivo secou.
Custos sobem mais que a receita
Se o preço recua, a despesa faz o caminho inverso. Levantamento da American Farm Bureau Federation mostra que, desde 2021, juros para custeio avançaram 71 %, mão de obra 47 %, fertilizantes 37 % e combustíveis 32 %. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que a renda líquida do setor cairá US$ 30 bilhões até 2026, recuando para US$ 153,4 bilhões — patamar incapaz de cobrir a conta em boa parte das fazendas do Meio-Oeste.
Efeitos práticos no campo: crédito caro, máquinas paradas e falências
Sem margem operacional, produtores adiam compras e recorrem a crédito mais longo. Dados do Federal Reserve de Kansas City indicam aumento de quase 40 % nos contratos de financiamento agrícola no último trimestre de 2025. As concessionárias sentem o baque: vendas de tratores de grande porte e colheitadeiras caíram até 45 % em 2025, e a John Deere já projeta nova retração de 20 % este ano.
O risco financeiro aparece também na justiça. Os pedidos de recuperação pelo Chapter 12 somaram 315 casos em 2025, alta de 46 % ante o ano anterior, com Estados como Montana e Georgia liderando as estatísticas.
Pressão extra: geopolítica, fertilizantes e concorrência brasileira
O conflito com o Irã encareceu diesel e fertilizantes nitrogenados ao restringir o fluxo no Estreito de Ormuz, elevando ainda mais o custo por acre às vésperas do plantio. Paralelamente, o Brasil ampliou exportações agropecuárias para US$ 169,2 bilhões em 2025 e ganha espaço nos mesmos mercados que escoavam safra americana, acirrando a competição.
Para produtores, a sequência de quatro safras negativas sinaliza a necessidade de gestão mais fina de caixa e de insumos. A expectativa é de novo recuo na área de milho — 3 milhões de acres a menos, segundo o USDA — e a menor produção de trigo desde 1919, reflexo direto da instabilidade de preços e custos.
O quadro reforça a importância de monitorar custos item a item e buscar eficiência econômica. Para acompanhar análises que ajudam a equilibrar rentabilidade em cenários voláteis, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
