AgriConnection cria fundo de R$100 mi para fertilizantes
AgriConnection vai colocar em operação, em 5 de maio, um fundo de R$ 100 milhões para oferecer crédito alongado às revendas que compram fertilizantes NPK, ampliando sua atuação num mercado pressionado por margens apertadas e custos instáveis.
Fundo nasce de parceria com multinacional do setor
Será o terceiro veículo financeiro da companhia, mas o primeiro focado em adubos. A AgriConnection participará como investidora e contará com o aporte de uma multinacional de fertilizantes, cujo nome ainda permanece sob confidencialidade. Segundo Daniel Dias, fundador e presidente do conselho, o desenho da operação já recebeu sinal verde dos investidores e aguarda apenas a validação final da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A iniciativa sucede dois FIDCs voltados a defensivos: um estruturado junto ao Banco Fator, que já captou mais de R$ 170 milhões, e outro dolarizado, colocado no mercado em janeiro pela Exa, com meta de US$ 20 milhões – quase todo o volume absorvido pelo Rabobank.
Prazo safra para dar fôlego às revendas
Com a rentabilidade do produtor comprimida, as revendas pedem prazo maior para fechar negócios em fertilizantes. O novo fundo foi pensado justamente para suprir essa lacuna, oferecendo capital de giro que acompanha o ciclo da safra. Enquanto as multinacionais do ramo costumam conceder prazos curtos, a linha de crédito da AgriConnection promete alongar o vencimento, favorecendo o fluxo de caixa de cooperativas e distribuidores.
Dias ressalta que a operação não será exclusiva: a empresa parceira seguirá comercializando diretamente aos agricultores, mas contará com a estrutura B2B da AgriConnection para chegar com mais força a canais indiretos.
Estratégia para ganhar volume em NPK
Desde sua fundação, a AgriConnection planejava ter presença maior em adubos. Há dois anos, contratou Rafael Almeida, ex-Mosaic, para liderar a área de fertilizantes. A companhia concluiu que, embora o NPK tenha margem menor, o elevado volume compensa, combinando sinergia com defensivos de giro rápido, como o glifosato.
O modelo de negócios, que liga fabricantes chineses diretamente ao mercado brasileiro, permitiu à distribuidora crescer em agroquímicos de grande escala. A mesma lógica será aplicada agora aos fertilizantes, apoiada pelo fundo de financiamento.
Mercado global instável reforça necessidade de capital
A mais recente missão de executivos da AgriConnection à China evidenciou um cenário de incerteza. Fabricantes asiáticos estão relutantes em precificar devido aos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre matérias-primas petroquímicas. O resultado tem sido alta de 25% a 30% nos preços de insumos – inclusive no glifosato, pressionado pela oferta restrita de fósforo amarelo.
Nesse ambiente, ter estoque custa caro e errar na compra pode comprometer a margem. Oferecer crédito alongado, portanto, vira diferencial competitivo tanto para a distribuidora quanto para suas revendas parceiras. Para o produtor, a tendência é buscar eficiência, usar a fertilidade acumulada e adotar pacotes tecnológicos mais enxutos.
Dados do Ministério da Agricultura confirmam que o preço dos fertilizantes no país voltou a subir nos últimos meses, impulsionado por fatores externos. (referência MAPA)
Ao colocar R$ 100 milhões à disposição do canal de distribuição, a AgriConnection mira volume, consolida sua entrada em NPK e tenta blindar clientes contra a volatilidade internacional. Para acompanhar outras análises sobre custos, rentabilidade e gestão eficiente de insumos, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
