Venture Capital Agro: Vivaterra lança fundo de R$150 mi
Venture capital agro acaba de ganhar um impulso fora do eixo Faria Lima. A Vivaterra Ventures, gestora sediada em Campo Grande (MS), iniciou a captação de um fundo que pretende destinar até R$ 150 milhões a startups rurais entre 2024 e 2029, mirando soluções de inteligência artificial, robótica, análise de dados e biotecnologia capazes de destravar a digitalização no campo.
Base no Centro-Oeste para validar tecnologia direto na lavoura
Diferentemente da maioria dos fundos concentrados em São Paulo, a Vivaterra nasceu no “coração” do agronegócio brasileiro. A proximidade física com produtores e institutos de pesquisa, como a Fundação MS, permitirá testar protótipos em condições reais de manejo, um ponto considerado decisivo pelo CEO e cofundador Rafael Viana Marques. Segundo ele, o primeiro closing é esperado até outubro, abrindo caminho para os primeiros aportes logo na próxima safra.
Cheques de R$5 mi a R$15 mi para agtechs do seed à Série A
A tese mira negócios em estágio inicial, do seed à Série A, com rodadas que variam de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões. O plano é montar um portfólio focado nos principais gargalos do agro brasileiro: baixa conectividade nas fazendas, tomada de decisão sem dados estruturados e carência de automação nas operações diárias. A gestora se inspirou na americana Reservoir, incubadora californiana especializada em agro, que atuará como parceira em coinvestimentos e apoio estratégico.
Segmento de 30% do PIB capta menos de 5% do VC nacional
Embora o agronegócio responda por quase um terço do PIB, menos de 5% dos recursos de venture capital do país se destinam ao setor, observa Marques, que acumula duas décadas de mercado financeiro. A previsão é que a Vivaterra ajude a reduzir esse “descompasso” ao atrair capital para soluções de alto impacto no campo.
O que muda na prática para produtores e startups
Para o produtor, a chegada de um fundo regional amplia as chances de acesso a ferramentas que tragam ganhos diretos de produtividade, redução de custos com insumos e maior precisão no manejo. Startups, por sua vez, podem acelerar a validação de suas tecnologias em ambientes comerciais, encurtando o ciclo de ajustes antes da escala.
O movimento também converge com iniciativas públicas e privadas de agricultura digital, como as linhas de pesquisa divulgadas pela Embrapa Agricultura Digital, reforçando a tendência de integração entre dados, automação e decisões em tempo real.
No médio prazo, a Vivaterra pretende manter o foco em soluções replicáveis para grãos, cana, pecuária e sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta, expandindo a rede de parceiros acadêmicos e corporativos para fortalecer a saída comercial das agtechs investidas.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
