Preço da arroba do boi gordo recua; indústrias alongam escalas
Preço da arroba do boi gordo terminou a semana em queda, reflexo do alongamento das escalas de abate – que já chegam a duas semanas em parte do país – e da estratégia dos frigoríficos de apertar as margens do pecuarista. O movimento acende o alerta para fluxo de caixa e planejamento de venda nos próximos dias, sobretudo com a oferta tendendo a crescer em maio.
Indústrias esticam escalas e mantêm pressão de compra
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que as plantas frigoríficas ampliaram suas programações para até 14 dias no Norte de Minas, reduzindo a urgência por novos lotes e, consequentemente, as cotações. Produtores, por outro lado, resistem em aceitar valores menores, encurtando a quantidade de animais ofertados no curto prazo. Esse impasse sustenta um mercado travado, com negócios pontuais fechados a números inferiores aos registros da semana anterior.
Segundo especialistas consultados pelo Cepea, a estratégia industrial combina dois fatores: abastecer os frigoríficos para o Dia das Mães – uma das principais datas para o consumo doméstico de carne bovina – e abrir espaço para compras a preços mais baixos quando a qualidade das pastagens cair nas próximas semanas.
Médias estaduais indicam variação de R$ 326 a R$ 360 por arroba
Dados do Indicador do Boi Datagro desta sexta-feira (24) apresentam o seguinte panorama de preços médios:
- São Paulo: R$ 360,32
- Bahia: R$ 326,62
- Goiás: R$ 343,45
- Minas Gerais: R$ 340,10
- Mato Grosso do Sul: R$ 350,58
- Mato Grosso: R$ 359,12
- Pará: R$ 352,01
- Rondônia: R$ 330,21
- Tocantins: R$ 346,57
Apesar de São Paulo liderar as cotações, o recuo semanal foi generalizado, variando entre 0,5% e 1,8% nas principais praças. O detalhe que mais chama atenção é a proximidade das médias de Mato Grosso e São Paulo, reflexo da maior oferta de boi terminado no Centro-Oeste.
Virada para maio pode aumentar oferta e exigir cautela
Historicamente, a passagem de abril para maio coincide com perda de qualidade das pastagens em boa parte das regiões produtoras, elevando o volume de animais prontos para abate. Na prática, isso significa que produtores que seguram o gado na tentativa de preços melhores podem enfrentar competição maior e valores ainda mais pressionados nas próximas semanas.
Para mitigar riscos, analistas recomendam revisar custos de terminação, avaliar contratos futuros e negociar escalonamento de entregas com frigoríficos. O ponto mais relevante é manter liquidez sem comprometer margens, já que a diferença de poucos reais por arroba pode significar impacto expressivo no resultado final da fazenda.
Monitorar indicadores de mercado e ajustar o momento de venda são passos decisivos para quem busca melhorar a gestão econômica da atividade. Para acompanhar mais análises sobre custo, mercado e eficiência na pecuária, continue navegando em nossa editoria de economia rural.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
