Preço da carne bovina dispara: arroba chega a R$ 370 e renova recorde
Preço da carne bovina alcançou em abril o maior patamar da série histórica do Cepea: a arroba do boi gordo girou em torno de R$ 370, reflexo da menor oferta de animais para abate e do apetite firme do mercado externo. Para o produtor, o movimento eleva a receita por cabeça, mas pressiona o consumo doméstico e exige atenção à estratégia de comercialização nos próximos meses.
Oferta enxuta e retenção de fêmeas sustentam a escalada
Segundo o Cepea, a decisão de muitos pecuaristas de reter vacas e novilhas para reconstruir rebanhos após dois anos de descarte intenso reduziu o número de animais prontos para abate. Essa restrição de oferta foi decisiva para o avanço dos preços. O movimento ocorre em um momento em que os frigoríficos buscam matéria-prima de qualidade para atender contratos externos com prazos curtos, o que aumenta a disputa pelo boi gordo.
Exportações aquecidas puxam a demanda e reduzem disponibilidade interna
A demanda internacional continua forte, especialmente da China, destino de mais de 50 % da carne brasileira in natura. Com o câmbio favorável e a recuperação do consumo asiático após a reabertura econômica, embarques subiram e escoaram parte relevante da produção. Dados da Esalq/Cepea indicam que os volumes exportados em abril cresceram cerca de 12 % frente ao mesmo mês de 2025, reforçando o cenário de oferta curta no mercado interno.
Consumidor sente o peso no bolso e indústrias revisam estratégia
Nos supermercados, o contrafilé e a picanha já registram repasses que superam 8 % no mês. A alta começa a frear a reposição nos atacados, sinalizando possível ajuste de demanda urbana caso os valores se mantenham. Grandes redes varejistas avaliam promover cortes de segunda linha e proteínas concorrentes, como frango e suíno, para conter a perda de volume.
O que muda para o pecuarista no curto prazo
Na prática, preços acima de R$ 370 por arroba podem melhorar a margem de quem tem boi terminado a pasto, mas aumentam o custo de reposição de bezerros e novilhos. Analistas apontam que a relação de troca caiu para 1,55 bezerro por arroba vendida, contra 1,70 um ano antes, indicando mercado mais apertado para recriadores.
Tendência: níveis elevados devem perdurar
Para o próximo bimestre, especialistas não veem sinal de alívio expressivo: a recuperação de oferta depende de maior abate de fêmeas ou ganho de peso no confinamento, cenários que levam tempo. Ao mesmo tempo, importadores asiáticos seguem ativos, mantendo a sustentação. Produtores que planejam engorda intensiva precisam ponderar custos de ração e disponibilidade de crédito antes de decidir o ponto de venda.
O detalhe que mais chama atenção é que, mesmo com o consumo doméstico em retração, o preço não cedeu — indicação de que a exportação continua definindo o ritmo do mercado. Acompanhar câmbio, compras chinesas e a evolução da oferta de boi confinado será decisivo para calibrar a estratégia de venda no segundo semestre.
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Crédito da imagem: Portalagrofamiliardobrasil Fonte: Portalagrofamiliardobrasil
