Demanda por biodiesel deve subir 7,2% até 2026 no Brasil
Demanda por biodiesel no Brasil tende a saltar 7,2% até 2026, alcançando 10,4 milhões de m³, aponta relatório da StoneX. O avanço reflete a adoção da mistura B15, o ritmo da economia e sinaliza impactos diretos em produtores de soja, transportadores e cadeias logísticas que dependem do diesel.
Mistura B15 turbina consumo e pode chegar a B16
Desde março, o percentual obrigatório de biodiesel no diesel comum subiu para 14% e deve chegar a 15% em 2025. Segundo a StoneX, a incorporação plena do B15 já adiciona 700 mil m³ ao mercado em 2026. Se o governo aprovar o B16, a projeção sobe para 10,76 milhões de m³, um crescimento anual de 10,9%.
Além da pauta ambiental, o aumento da mistura reduz a dependência externa de diesel fóssil, tema estratégico num momento de volatilidade no preço do petróleo. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, em 2023, o Brasil importou cerca de 25% do diesel consumido internamente.
Soja consolida domínio como matéria-prima do biocombustível
O óleo de soja deve responder por 84,7% da oferta de matérias-primas em 2026, impulsionado por esmagamento recorde e ampla disponibilidade interna. Para o sojicultor, isso significa demanda firme pelo farelo e possibilidade de prêmios melhores pelo óleo, ajudando a compensar pressões de custo em outras pontas da lavoura.
Outras fontes, como gordura animal e óleo de palma, mantêm fatias menores, mas o relatório indica que a competitividade da soja continuará alta, graças à escala e à logística já estabelecida.
Diesel B atinge volume inédito; Sudeste e Sul lideram corrida
O consumo de diesel B — mistura que já contém biodiesel — deve bater 70,8 milhões de m³ em 2026, alta de 1,9%. A StoneX prevê que Sudeste e Sul puxem cerca de 60% desse avanço, embalados por recuperação industrial, safra robusta de grãos e maior fluxo de cargas rumo aos portos.
Já o Centro-Oeste tende a crescer em ritmo mais moderado, impactado pela expectativa de colheita menor, mesmo com a expansão do transporte de etanol de milho.
Guerra no Oriente Médio ainda é variável de risco
Apesar das projeções otimistas, a consultoria alerta que um agravamento do conflito no Oriente Médio pode pressionar preços de energia, elevar inflação e refrear atividades agrícola e industrial no curto prazo. Nesse cenário, a procura por diesel B também poderia ceder.
Na prática, produtores e transportadores devem acompanhar não só a política de mistura do governo, mas também o comportamento do câmbio e do barril de petróleo, que influenciam diretamente o custo do frete e da produção no campo.
O detalhe que mais chama atenção é que, mesmo com incertezas globais, a demanda interna segue resiliente — reforçando a importância de eficiência logística, planejamento de estoques e análise de preço do óleo de soja para capturar valor na cadeia.
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Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
