Coruja-buraqueira: 4 hábitos que explicam sua rotina diurna
Coruja-buraqueira é uma exceção notável entre as aves noturnas: ela passa boa parte do dia ativa em pleno sol, hábito que intriga observadores e pode até ajudar produtores rurais no controle biológico de pragas.
Atividade em campo aberto sob sol forte chama atenção
Enquanto a maioria das corujas caça à noite, a Athene cunicularia – nome científico da coruja-buraqueira – adotou estratégia oposta. Presente em pastagens, lavouras de grãos e áreas de pecuária extensiva, o animal aproveita a luminosidade diurna para localizar insetos e pequenos roedores com mais facilidade. Essa escolha evolutiva reduziu a competição com outras espécies noturnas e aumentou a oferta de alimento, explicam pesquisadores da Embrapa.
Quatro hábitos que sustentam o comportamento diurno
A rotina fora do escuro não é mero acaso. Quatro traços ajudam a entender por que a coruja-buraqueira se adaptou tão bem à luz do dia – e como isso pode gerar benefícios diretos para o agro:
- Uso de tocas próprias ou abandonadas: a espécie escava o solo ou ocupa buracos de tatus, facilitando a termorregulação durante o calor intenso. As tocas também oferecem abrigo rápido caso surja um predador.
- Postura ereta na entrada da toca: de pé, o animal ganha visão de 360°, detecta ameaças cedo e mantém domínio visual sobre áreas de plantio, onde costuma caçar gafanhotos, grilos e ratos.
- Vocalização de alarme durante o dia: sons agudos avisam companheiros e, indiretamente, espantam pragas que poderiam danificar cultivos. Esse “sistema de sirene” natural diminui riscos sem custo ao produtor.
- Caça ativa em horários quentes: sob sol, muitos insetos ficam mais lentos ou expostos. A coruja aproveita esse pico de vulnerabilidade, contribuindo para reduzir populações de pragas sem necessidade de insumos químicos.
Por que o comportamento interessa ao produtor
Na prática, essas características transformam a coruja-buraqueira em aliada do manejo integrado de pragas (MIP). Lavouras de soja, milho e cana que mantêm áreas de pousio, tocos ou pequenos barrancos oferecem abrigo ideal para a ave, que devolve o “favorecimento” consumindo insetos e roedores capazes de causar perdas de produtividade.
Além disso, a presença frequente durante o dia facilita o monitoramento de fauna útil: basta observar a borda dos talhões para confirmar se a população da espécie está saudável. Quando há redução drástica de indivíduos, pode ser sinal de desequilíbrio ecológico ou uso excessivo de defensivos, exigindo ajuste de manejo.
Com a adoção crescente de práticas sustentáveis e redução de custos por meio de soluções naturais, entender o modo de vida da coruja-buraqueira deixa de ser mera curiosidade e passa a integrar a estratégia de compliance ambiental e ganho de eficiência no campo. Para acompanhar outras iniciativas de proteção inteligente e controle biológico, visite nossa editoria Proteção Inteligente no Campo.
Crédito da imagem: Agron Fonte: Agron
