AGI armazéns cresce 20% no Brasil e amplia FIDCs
AGI armazéns registrou avanço de 20% na receita brasileira em 2025, puxando o resultado mundial da multinacional canadense e abrindo espaço para a criação de novos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) voltados a silos e armazéns. O crescimento veio justamente quando o crédito agrícola está apertado e o produtor segura investimentos, o que torna o movimento relevante para quem planeja armazenar grãos e ganhar poder de negociação.
Industrialização lidera a demanda e compensa queda no campo
Segundo Robson Engers, diretor de operações da AGI na América Latina, o déficit de armazenagem — estimado pela Conab em mais de 130 milhões de toneladas até 2026 — não é motivo automático para novo silo na fazenda. O gatilho, afirma, é a industrialização de grãos. Projetos como usinas de etanol de milho e esmagadoras de soja responderam por alta de 34% nas vendas industriais da companhia, garantindo que o Brasil representasse de 30% a 40% do faturamento global, que superou US$ 1 bilhão.
Na ponta do produtor, a combinação de juros elevados, margens mais curtas e incertezas de mercado freia a construção de armazéns próprios. “Nem sempre vale a pena investir em ‘cofre’ para guardar a commodity”, resume Engers. Para ele, países com cadeia mais industrializada mostram o caminho: maior valor agregado, menor risco de vender na baixa e uso estratégico da estocagem.
Novo fôlego financeiro: FIDCs e crédito canadense
Com linhas do Plano Safra se esgotando rapidamente, a AGI reforçou soluções privadas. Um FIDC de R$ 250 milhões, focado em fazendas, já teve 100% dos recursos contratados em parceria com BNDES e Opea. Outro, de R$ 1,2 bilhão para projetos de maior porte, está em fase de expansão. Hoje, cerca de 20% das vendas nacionais usam esses fundos, mas a meta é mais do que dobrar o volume em 2026.
A companhia também oferece parcelamentos subsidiados via acordos com o governo do Canadá, alternativa que reduz o custo financeiro de quem precisa modernizar a estrutura de pós-colheita.
Portfólio amplo sustenta metas mesmo com retração nas fazendas
Para 2026 a AGI projeta queda na linha “silo de fazenda”, tendência observada também nos Estados Unidos. Em contrapartida, a expectativa é de receita estável no Brasil graças ao portfólio que inclui equipamentos para ração, fertilizantes, pet food e soluções digitais como o SureTrack, plataforma que monitora temperatura e umidade do grão em tempo real.
Entre as entregas recentes, destaca-se a esmagadora da Cooperativa Tradição, em Pato Branco (PR). O projeto de R$ 770 milhões recebeu a tecnologia Hi Roller, que encapsula o transporte do grão e reduz risco de explosão por pó — um ganho direto em segurança operacional.
Capacidade preparada para saltar 30% sem nova fábrica
Instalada em Cândido Mota (SP), a unidade brasileira já opera em até dois turnos e pode crescer 30% apenas com ajuste de escala. A estratégia inclui aproveitar a Agrishow para ofertas promocionais que antecipem pedidos de silos ainda neste ano.
A aquisição de 60% da AC Grãos, aprovada pelo Cade, indica que a AGI pode avançar também na prestação de serviços de armazenagem, além da venda de equipamentos. Detalhes do modelo ainda não foram divulgados.
Para quem acompanha custos, crédito e tecnologia de pós-colheita, o ponto mais relevante é que industrialização e financiamento alternativo começam a redesenhar a lógica de armazenagem no Brasil. Siga nossa editoria de economia digital no campo para entender como essas mudanças podem influenciar as próximas decisões de investimento.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
