Proteína de ervilha sem off-flavor: SentiaNova lança solução
Proteína de ervilha ganha impulso com a chegada da SentiaNova, startup suíça que desenvolveu uma tecnologia patenteada para retirar compostos amargos e adstringentes dos grãos antes da etapa de fracionamento. O processo promete sabor neutro, melhor dispersão e economia direta para indústrias de bebidas e alimentos à base de proteína vegetal.
Como a tecnologia remove o sabor indesejado
De acordo com a empresa, o segredo está em um pré-tratamento físico-químico capaz de eliminar flavonoides e saponinas — moléculas que deixam gosto “verde” ou metálico nas proteínas de leguminosas. Diferente de métodos que apenas mascaram o off-flavor, a SentiaNova afirma extrair os compostos sem usar calor ou vapor, evitando desnaturação e perdas funcionais.
O sistema é inserido logo após a limpeza e antes da secagem a ar — etapa comum em fábricas de fracionamento a seco. Isso significa baixo investimento adicional (capex) e praticamente nenhum aumento de custo operacional (opex), já que o equipamento aproveita a infraestrutura existente.
Impacto prático: mais inclusão de proteína e menos aditivos
Um teste sensorial independente da Haystack Consulting mostrou redução consistente de amargor, adstringência e notas vegetais em pudim de baunilha formulado com o concentrado da SentiaNova. Além do ganho de sabor, os avaliadores apontaram três efeitos diretos:
- Dispensa de aromatizantes mascaradores, item caro na formulação.
- Corte de até 30% no uso de baunilha para atingir o mesmo perfil sensorial.
- Possibilidade de elevar a dose de proteína acima de 15 g por porção sem comprometer textura.
Na prática, marcas de nutrição esportiva e bebidas prontas podem reduzir custos de ingredientes e lançar rótulos com lista mais curta, atendendo a demanda por produtos clean label.
Pea protein hoje, outras leguminosas na fila
Embora o foco inicial seja a proteína de ervilha, a empresa já validou o processo em fava, grão-de-bico, feijão-mung e lentilha. O interesse maior, porém, está na ervilha porque há capacidade ociosa de fracionamento que hoje vai para ração animal, segundo o CTO Roi Wurgaft.
Com amostras comerciais do concentrado disponíveis imediatamente e volumes maiores previstos para o quarto trimestre, isolados neutros devem chegar em uma fase posterior. A estratégia é firmar parcerias com fabricantes consolidados, acelerando escala e distribuição.
Para o setor de proteínas alternativas, a novidade chega em um momento de pressão de custos e alta no preço do whey, o que abre espaço para ingredientes vegetais competitivos. Segundo pesquisa da Embrapa, o mercado de leguminosas tem potencial de suprir parte do déficit global de proteína, desde que supere barreiras de sabor e funcionalidade.
Economia de escala e viabilidade financeira
Wurgaft, com 26 anos de experiência na construção de plantas de proteína vegetal, diz ter visto muitas inovações falharem por falta de viabilidade econômica. Por isso, a SentiaNova priorizou um desenho simples e de baixo custo, dispensando aditivos ou etapas caras. O modelo, afirma ele, reduz o preço final do quilo de proteína e cria valor ao desviar matéria-prima que iria para ração de menor preço.
Após investimento semente do FOOD FOUNDERS Studio, a companhia busca uma rodada de capital para ampliar instalações e atender a demanda projetada para 2025. A CEO Daria Reisch destaca que subsídios europeus ao cultivo de leguminosas e a pressão por maior autonomia proteica no bloco aceleram o interesse de parceiros industriais.
A remoção do último entrave sensorial reforça a tendência de adoção de proteínas vegetais em bebidas, suplementos e formulações de alto teor proteico. Para acompanhar mais soluções que elevam produtividade e eficiência econômica na cadeia, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews
