Robô agrícola FarmDroid corta 95% de herbicida na beterraba
Robô agrícola FarmDroid vira peça-chave na lavoura de Mariëlle Keijzer, na região holandesa de Flevopolder, ao semear e aplicar herbicida pontual em beterraba-açucareira com economia de 95% nos defensivos – resultado que chama atenção de quem busca reduzir custos e impacto ambiental no campo.
O que o FD20 faz na prática
Em operação há três safras, o FarmDroid FD20 executa três tarefas: semeadura, capina mecanizada e spot spraying (pulverização em pontos). Equipado com quatro rodas, RTK-GPS e bicos individuais sobre cada uma das seis fileiras, o robô deposita o herbicida apenas em um círculo de 6 cm ao redor da semente, plantada a cada 19 cm. O processo mantém o solo livre de compactação por causa do baixo peso do equipamento e permite registrar a posição exata de cada semente para capinar dentro da linha antes mesmo da emergência.
Impacto direto na gestão de insumos
O sistema utiliza dois tanques – um de água limpa e outro de calda – para aplicar a mistura de Goltix e Centium somente onde importa. Na conta da produtora, isso significa:
- Economia de 95% em herbicidas pré-emergentes;
- Menor risco de fitotoxicidade;
- Redução no tempo de reentrada em campo.
Apesar do ganho ambiental e do controle total sobre a semeadura, Keijzer ainda não percebe grande folga na agenda. “O plantio leva cerca de 48 horas e eu monitoro tudo pelo celular; se tanque ou bateria chegam ao fim, recebo alerta”, relata. A necessidade de recarga adicional apareceu porque o solo argiloso (48% silte) e a agitação da calda exigem mais energia que a gerada pelo painel solar a bordo.
Aprendizado e desafios de quem sai na frente
A agricultora cultiva 54 ha em sistema convencional – que paga as contas – e 37 ha orgânicos, área onde testa inovações desde 2020, como cultivo em faixas e parcelas de flores. Ser a única usuária do FD20 na província gera alguns contratempos: falta de peças locais, suporte limitado de concessionárias e até despertador de madrugada para checar o sinal RTK. “Quando preciso, falo direto com o fabricante por videochamada e eles resolvem rápido”, diz.
Por que o caso interessa ao produtor brasileiro
O exemplo holandês antecipa desafios que devem surgir no Brasil à medida que robôs de campo ganham espaço. A combinação de redução drástica de insumos, registros precisos e baixo peso da máquina dialoga com metas de sustentabilidade e corte de custos. Iniciativas nacionais de pesquisa, como as de robótica agrícola da Embrapa Instrumentação, indicam que soluções semelhantes podem chegar logo às culturas locais.
O ponto que mais chama atenção é o equilíbrio entre investimento e retorno: enquanto a receita vem das lavouras convencionais, a área orgânica funciona como laboratório vivo. Quem pensa em adotar robôs deve planejar fluxo de caixa, logística de transporte – o FD20 opera dentro do bloco de 45 ha sem cruzar estradas – e capacitação para manutenção remota.
Para acompanhar outras tecnologias de robótica, dados e monitoramento de campo que podem transformar a gestão agrícola, visite nossa editoria de agrorrobótica e gestão por dados.
Crédito da imagem: Futurefarming Fonte: Futurefarming
