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Alta do diesel eleva em R$ 612 mi custos das lavouras RS

Alta do diesel já adiciona R$ 612,2 milhões às despesas com máquinas nas principais culturas do Rio Grande do Sul, segundo estudo da Farsul, e renova o alerta para margens apertadas em plena colheita de verão e planejamento do plantio de inverno.

R$ 612 milhões a mais em plena colheita de verão

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Entre o fim de fevereiro e o início de abril, o preço médio do diesel S10 no estado subiu 21,1%, alcançando R$ 7,23 por litro. O movimento acompanha a escalada do barril de Brent, que saiu de US$ 70,99 para perto de US$ 100 em menos de dois meses, puxado pela tensão no Oriente Médio e pelo risco logístico no Estreito de Ormuz. Nas contas da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), cada centavo extra na bomba pesa diretamente nas operações de preparo, semeadura, pulverização e colheita, somando o impacto inédito de R$ 612,2 milhões para a safra 2023/24.

Para a entidade, trata-se de uma “reprecificação estrutural do risco energético global”, o que indica que o novo patamar pode durar, exigindo ajustes imediatos no planejamento de caixa das fazendas.

Soja domina o prejuízo; arroz sente mais no hectare

A soja, maior cultura do estado, é responsável pelo maior rombo absoluto: R$ 331,2 milhões. Individualmente, o acréscimo é de R$ 48,74 por hectare, o equivalente a 0,4 saca. Pode parecer pouco, mas, em cenário de endividamento elevado, meio saco faz diferença entre pagar a conta ou renegociar dívidas, alerta a Farsul.

O arroz lidera a perda por área: mais R$ 185,72 por hectare, ou 2,9 sacas. “O preço atual do arroz mal cobre o custo operacional; três sacas podem comprometer todo o resultado”, destaca o estudo da Farsul. Nas demais culturas analisadas, trigo, milho e feijão também absorvem o choque, mas em menor intensidade.

Litro a R$ 8 ou R$ 9 multiplica pressão no caixa

Os exercícios de sensibilidade feitos pelos economistas da federação mostram que, se o litro estabilizar em R$ 8, o custo adicional saltará para R$ 986,3 milhões. No pior cenário avaliado, a R$ 9, a conta ultrapassa R$ 1,4 bilhão. O estudo também critica a eficácia de desonerações genéricas sobre combustíveis: o alívio se dilui na cadeia e compromete arrecadação, ao mesmo tempo em que pressiona a inflação e dificulta a queda dos juros.

Para o produtor, a recomendação é revisar o orçamento da safra, priorizar operações mecanizadas com maior retorno por litro consumido e negociar logística com antecedência, ciente de que o combustível hoje corresponde a até 30% do custo direto em algumas culturas.

Custos de insumos e energia pesam cada vez mais na rentabilidade do campo. Para acompanhar outras análises sobre produtividade, eficiência de custos e planejamento econômico, siga lendo a editoria de lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Amanha Fonte: Amanha

Francisco devruk

Francisco

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