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Meio rural ganha status estratégico para América Latina, diz CAF

Meio rural da América Latina e do Caribe foi apontado como peça central para o crescimento sustentável da região em novo relatório do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). O documento, divulgado nesta terça-feira (9), destaca que esses territórios concentram recursos decisivos para segurança alimentar, biodiversidade e transição energética — fatores que podem ampliar renda, atrair investimento e gerar empregos mais qualificados no campo.

Potencial econômico e ambiental em jogo

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Segundo o Relatório de Economia e Desenvolvimento (RED) anual do CAF, a região abriga 22% das florestas do planeta e metade da biodiversidade global. Esse capital natural, somado à produção agrícola e aos serviços ligados a turismo, logística e energia, coloca o meio rural como alavanca para crescimento econômico, inclusão social e cumprimento de metas climáticas. O presidente executivo do banco, Sergio Díaz-Granados, reforçou que “o enorme potencial das áreas rurais pode oferecer respostas diretas a desafios mundiais relacionados a alimento, clima e desenvolvimento”.

Integração campo-cidade muda perfil do trabalhador

O banco observa uma transformação silenciosa: menos da metade dos trabalhadores rurais ainda atua na agricultura tradicional. Um número crescente de profissionais migra para setores como serviços, comércio, mineração e energias renováveis. Para o produtor que busca ampliar receita, essa diversificação abre espaço para cadeias de valor mais extensas, agregação de serviço pós-porteira e novas alternativas de renda. O CAF recomenda programas de formação profissional e inclusão financeira para que o morador do campo aproveite vagas formais, com proteção social e estabilidade.

Infraestrutura e crédito continuam como freios

Apesar das vantagens naturais, gargalos persistem. O estudo registra que 33% da população rural não possui conta bancária, quase metade não tem acesso a água segura e apenas 11% contam com saneamento básico adequado. Conectividade precária, estradas degradadas e oferta limitada de energia de qualidade elevam custos logísticos, aumentam perdas pós-colheita e restringem adoção de tecnologias digitais. De acordo com a FAO, países que avançaram em infraestrutura rural ganharam competitividade e reduziram desigualdades — sinal de que o investimento em base física e digital é tão estratégico quanto a produção em si.

Digitalização e valor agregado ganham prioridade

Para destravar o potencial do meio rural, o CAF sugere acelerar a digitalização, fortalecer governança dos recursos naturais e incentivar modelos de negócio que agreguem valor à produção in natura. Na prática, isso significa ampliar acesso à internet de qualidade, fomentar uso de dados na tomada de decisão e estimular agroindústrias locais capazes de processar, embalar e comercializar produtos com maior margem. A recomendação vem em linha com a demanda de produtores por soluções que unam produtividade, sustentabilidade e rentabilidade.

Ao destacar que a transformação produtiva deve caminhar de mãos dadas com inclusão social e conservação ambiental, o relatório reforça que o futuro da região passa, necessariamente, pelo campo. Para entender como iniciativas de eficiência econômica e gestão podem acelerar essa virada, acesse nossa editoria em lavoura digital e econômica e acompanhe as próximas análises.

Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo

Francisco devruk

Francisco

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