Frísia projeta 18% de alta em 2026 com nova esmagadora
Frísia aposta na recém-adquirida esmagadora de soja para acelerar receitas, ampliar industrialização e levar o faturamento a quase R$ 7 bilhões já em 2026, avanço de 18% sobre 2025, com impacto direto na renda dos cooperados.
Efeito imediato: volume maior e giro mais rápido
Mesmo enfrentando preços mais baixos de grãos e leite em 2025, a cooperativa sediada em Carambeí (PR) elevou o faturamento a R$ 5,9 bilhões – 2% acima de 2024. O resultado veio de três frentes:
- Recebimento recorde de 1 milhão t de grãos, 21% superior ao ano anterior;
- Produtividade média de 4,5 kg/ha na safra 2024/25, contra 3,9 kg/ha em 2023/24;
- Alta de 2% no volume de leite, alcançando 369,3 milhões de litros.
Segundo o superintendente Mario Dykstra, muitos produtores venderam logo após colher para fazer caixa, acelerando o giro de capital da cooperativa.
Esmagadora de 3,4 mil t/dia muda o jogo
O motor do próximo salto é a planta de crushing de soja comprada da Louis Dreyfus Company em Ponta Grossa (PR). Com capacidade para processar 3,4 mil toneladas diárias, o ativo ainda aguarda aval do Cade, mas já está nos planos de produção para 2027.
Dykstra projeta que, em plena carga, a fábrica adicionará R$ 2,9 bilhões às receitas anuais, abrindo dois novos canais de mercado:
- Farelo destinado à exportação, aproveitando o déficit global de proteína;
- Óleo voltado às indústrias de biodiesel, segmento que segue em expansão no país.
A estrutura completa o movimento de industrialização iniciado com ração de milho, trigo e cevada para malte. Agora, a soja também ganhará valor agregado antes de sair das unidades da Frísia.
Investimentos superiores a R$ 180 milhões em 2026
Além da esmagadora, o plano anual contempla:
- Ampliação da área de sementes e armazenagem refrigerada;
- Modernização da linha de lácteos, com fatiamento de queijos e requeijão (R$ 70–80 mi);
- Expansão no Tocantins: novo entreposto em Pium e ampliação de Paraíso do Tocantins (R$ 100 mi), visando crescer dos atuais 45 mil ha para 65 mil ha até 2030.
No grão que sustenta o novo ciclo, a expectativa é repetir o avanço de área da cevada e manter boa margem na soja, apesar da volatilidade dos fertilizantes causada pelo conflito no Oriente Médio. De acordo com a Conab, a oferta brasileira continua robusta, o que favorece o abastecimento da indústria.
Se confirmado, o pacote de investimentos reforça a estratégia de diluir risco de mercado com maior verticalização. Para acompanhar mais conteúdos sobre produtividade, economia rural e decisões estratégicas que impactam a rentabilidade no campo, visite nossa editoria em Lavoura Digital & Econômica.
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