Sesbania da Embrapa melhora solo de arroz e feijão e corta insumos
Sesbania virou a aposta mais recente da Embrapa para turbinar o solo de áreas alagadas, aumentar a produtividade de arroz irrigado e feijão e, de quebra, diminuir a dependência de fertilizantes nitrogenados importados — um alívio direto no custo da lavoura.
Por que a leguminosa ganhou espaço nos experimentos
Depois de dez anos de testes na Fazenda Palmital, em Goiás, pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão observaram que plantar Sesbania em rotação com arroz melhora visivelmente o vigor das plantas seguintes. Estudos apontam que a espécie:
- aumenta a matéria orgânica do solo;
- fixa nitrogênio atmosférico;
- tolera ambientes constantemente encharcados, algo raro entre leguminosas.
Segundo o técnico Leandro Pimenta, o ganho prático aparece na colheita: “A lavoura cultivada sobre área com Sesbania mostra porte mais uniforme e maior estabelecimento de perfilhos”, detalha.
Como o sistema de cultivo funciona na prática
A implantação ocorre de outubro a novembro, com semeadura a lanço ou em linhas e uso médio de 15 kg ha-1 de sementes previamente escarificadas. Pode ser necessária uma aplicação de graminicida pós-emergente para controlar plantas indesejadas.
Após cerca de 110 dias, no início da floração, a biomassa é incorporada com rolo-faca. O resultado são até 60 t ha-1 de massa verde adicionada ao perfil do solo, fornecendo cobertura e nutrientes para a cultura subsequente.
Em números, a Embrapa estima que a fixação biológica de nitrogênio pela Sesbania pode reduzir em até 30 % a necessidade de adubo nitrogenado no arroz irrigado, item que mais pesa no orçamento do produtor.
Potencial de recuperação pós-enchente e biorremediação
O interesse pela leguminosa aumentou depois das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, que deixaram lavouras de arroz cobertas por lama. A rápida produção de biomassa da Sesbania ajuda a reestruturar a física do solo, estimular atividade microbiana e diminuir a erosão.
Há ainda outra frente promissora: a remoção ou imobilização de metais pesados em áreas contaminadas por rejeitos de mineração. Relatos científicos indicam capacidade de fitoestabilização, reduzindo a mobilidade de elementos tóxicos no sistema solo-água-planta. Mais detalhes técnicos podem ser conferidos no portal oficial da Embrapa.
Próximos passos: dados de produtividade e recomendações regionais
Os pesquisadores elaboram protocolos para medir de forma conclusiva o impacto sobre rendimento de grãos, supressão de plantas daninhas e atividade microbiana em diferentes ambientes. A meta é definir cultivares de arroz e feijão mais responsivas ao sistema e publicar recomendações de manejo regionalizadas já nos próximos ciclos de pesquisa.
Ao reduzir custos com adubo, melhorar a estrutura do solo e ainda oferecer alternativa de biorremediação, a Sesbania reforça a tendência de integração de plantas de cobertura ao manejo econômico da lavoura. Para acompanhar outras estratégias que unem ganho de produtividade e eficiência de custos, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
