Certificação de bem-estar na suinocultura estreia em MG
Certificação de bem-estar na suinocultura acaba de chegar oficialmente ao Brasil: a Auma Agronegócios, em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira granja do país a receber o selo “Produtor do Bem”, padrão que impõe regras mais rígidas de alojamento, manejo e ambiência para matrizes e leitões. A conquista traz impacto direto no bolso do suinocultor: redução de perdas, melhora de indicadores sanitários e bônus comercial de 3,5% por quilo de carne.
Mudança estrutural: do “cobre-solta” ao fim da ractopamina
Para atender às novas exigências, a empresa substituiu o modelo tradicional de 28 dias de gaiola pelo sistema “cobre-solta”. As fêmeas são inseminadas e rapidamente transferidas para baias coletivas, onde podem expressar comportamento natural. Também foi eliminada a ractopamina, aditivo usado para acelerar ganho de peso. O gerente de produção Baltazar Vieira relata que, mesmo com perda inicial de eficiência, a granja compensou tudo com menor mortalidade e menos casos sanitários críticos. “Quando se soma o que deixa de perder, o resultado econômico vira”, resume.
Indicadores que já aparecem no resultado
De acordo com a empresa, as práticas de bem-estar reduziram mortalidade de leitões, doenças respiratórias e perdas no abate. A menor taxa de descarte impactou diretamente o custo por quilo produzido. Além disso, há retorno de mercado: compradores pagam, em média, 3,5% a mais pela carne oriunda do novo protocolo, confirmando espaço para diferenciação em nichos premium.
Selo quer puxar todo o setor para cima
O diretor-executivo da certificadora, José Rodolfo Ciocca, explica que o “Produtor do Bem” vai além de validar rotinas existentes; ele eleva a régua. O protocolo estabelece três níveis de exigência. A Auma entrou no primeiro, já superior à média brasileira, e terá de avançar em enriquecimento ambiental e densidade de alojamento para subir de patamar. “Mesmo no nível inicial, o limite de dias em gaiola é menor que o adotado na União Europeia”, compara Ciocca.
Segundo o executivo, pressões de exportadores e acordos como Mercosul-União Europeia devem acelerar a adoção de padrões mais altos no país. Estudos da Embrapa Suínos e Aves corroboram que bem-estar adequado reduz uso de antibióticos e melhora conversão alimentar a médio prazo.
Desafios: custo, capacitação e adaptação de instalações
O principal entrave está no investimento inicial para reformar galpões, treinar equipes e rever dietas. “Ajuste fino de ração, ventilação e densidade é caro, mas indispensável para manter a produtividade”, destaca Lucimar Silva, diretora-executiva da Auma. Ela aposta que o aumento da demanda por carne com origem transparente criará escala suficiente para diluir custos.
Para produtores que avaliam migrar, o ponto crucial é planejar fluxo de caixa e cronograma de obras sem comprometer a oferta. Ao mesmo tempo, monitorar indicadores zootécnicos durante a transição evita surpresas e comprova rapidamente onde estão os ganhos de eficiência. Para seguir acompanhando avanços que combinam bem-estar, produtividade e rentabilidade no agro, continue na nossa editoria de economia digital na lavoura.
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