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Bloqueio do Estreito de Ormuz volta e pressiona frete de fertilizantes

Bloqueio do Estreito de Ormuz reacende o alerta logístico no agronegócio: menos de 48 h após anunciar reabertura, o Irã reassumiu o controle militar da rota que escoa cerca de 20 % do petróleo e volumes decisivos de fertilizantes. A volta das restrições eleva o risco de custos extras no frete, pressiona cotações de ureia, amônia, fosfatos e enxofre e coloca produtores diante de um cenário de oferta mais apertada já a partir deste semestre.

Irã acusa EUA e fecha novamente passagem estratégica

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O tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que “o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior”, responsabilizando os EUA por “violações repetidas” e “pirataria marítima”. A decisão anula o acordo de reabertura divulgado no dia anterior e volta a restringir o fluxo de aproximadamente 30 navios cargueiros por dia.

Na última sexta-feira, a simples perspectiva de liberação fez o barril do Brent recuar 10 %. Com o novo bloqueio, analistas já falam em correção imediata, o que pode encarecer transporte de diesel, combustíveis usados na fazenda e derivados petroquímicos presentes em insumos agrícolas.

Disponibilidade global de fertilizantes cai ao menor nível em décadas

Segundo a Raboresearch Alimentos e Agronegócio, a paralisação pode retirar até 800 mil t de fertilizantes por mês do trade internacional. Se mantida, a restrição empurrará a oferta global para o piso histórico previsto para 2026, superando a crise de 2022.

O corredor concentra 30 % das exportações de ureia, 27 % de amônia, 24 % de fosfatos e 48 % de enxofre. Esses quatro nutrientes compõem a base dos programas de adubação de soja, milho, café e cana no Brasil. Dados da FAO apontam que cada 1 % de retração na oferta internacional pode adicionar até US$ 5/t ao custo da ureia no curto prazo.

O que muda na prática para o produtor brasileiro

Na prática, a retomada do bloqueio gera três efeitos imediatos:

  • Preço FOB mais alto: traders já ajustam prêmios de risco para cargas que dependem do Golfo Pérsico.
  • Prazos de entrega alongados: navios desviados para rotas alternativas podem estender em até 15 dias a chegada aos portos brasileiros.
  • Volatilidade cambial: eventual alta no petróleo pressiona custos logísticos globais e pode fortalecer o dólar, elevando o valor final dos adubos importados.

Para mitigar impactos, consultores recomendam revisar cronogramas de compras, diversificar origens (Rússia, Canadá, Norte da África) e considerar travas de câmbio. Caso a interrupção se prolongue, cooperativas devem antecipar parte da demanda do segundo semestre para não ficar dependentes de um mercado curto no quarto trimestre.

Próximos passos e monitoramento

Não há sinal concreto de negociação que garanta estabilidade no estreito. O governo iraniano condiciona a flexibilização à retirada de navios militares dos EUA, enquanto Washington insiste na proteção à navegação comercial. Qualquer avanço ou retrocesso deve refletir rapidamente em prêmios de risco e nos índices internacionais de fertilizantes.

Produtores, distribuidores e tradings devem acompanhar boletins de armadores e relatórios diários de preços. Ajustar estratégias de compra e estocagem nas próximas semanas pode significar economia de dois dígitos por hectare.

Para seguir acompanhando os movimentos que afetam custos, rentabilidade e eficiência da lavoura, visite nossa editoria sobre lavoura digital e economia rural.

Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo

Francisco devruk

Francisco

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

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