Gordura alternativa EPG ganha escala e mira grandes marcas
Gordura alternativa EPG teve sua produção ampliada em cinco vezes pela foodtech norte-americana David Protein, que agora negocia o fornecimento do ingrediente a indústrias de alimentos no Brasil e no exterior enquanto projeta faturar mais de US$ 300 milhões em 2026. A escalada dá fôlego à estratégia de inserir a EPG em novos produtos – de barras proteicas a sorvetes – reduzindo calorias sem perder sabor ou textura, ponto que pode transformar as linhas de quem busca cortes de custo e ganho nutricional.
Capacidade ampliada e corrida por parceiros industriais
Segundo Peter Rahal, fundador da David Protein e criador da RXBAR, a demanda da própria marca já superava 150% da oferta disponível quando a companhia comprou a fabricante Epogee em 2025. Com os investimentos recentes, a EPG volta ao mercado B2B: “O interesse é alto porque é um ingrediente realmente inovador”, afirmou Rahal ao AgFunderNews às 1h25 (horário de Brasília). Além de reforçar o time de P&D com o ex-Kraft Heinz Mitchell Culler, a empresa atualizou site e materiais técnicos focados em aplicações industriais.
Produtores de snacks, panificados e laticínios enxergam na EPG uma alternativa para elevar teor proteico e enxugar calorias: 1 g de gordura comum tem 9 kcal; 1 g de EPG entrega apenas 0,7 kcal graças à resistência à enzima lipase. O ingrediente – listado como “EPG (óleo vegetal modificado)” – já é aprovado nos EUA para sorvetes, produtos assados, confeitos e itens fritos. A Embrapa destaca que substitutos de gordura com funcionalidade térmica e sensorial equivalente ao óleo tradicional tendem a reduzir até 30% no custo energético de receitas industriais (link externo: Embrapa).
Expansão no varejo físico e entrada planejada em sorvetes
Enquanto busca clientes CPG, a própria David Protein acelera nas gôndolas: após nascer no e-commerce em 2024, a marca fechou distribuição nacional com Walmart e Target no 1º trimestre e estreia no Costco do Texas ainda este ano. Os números animam Rahal: “Estamos à frente do plano, com estoques redundantes e espaço para crescer”. Para manter o apelo “mais proteína, menos calorias”, a empresa pretende levar a proposta para o freezer: um sorvete proteico e indulgente, sem precedentes em valor nutricional, deve chegar às lojas nos próximos meses.
Processo antitruste ainda em curso
O salto de capacidade não encerra o litígio com ex-clientes da Epogee. Três empresas processam a David Protein em Nova York sob acusação de monopólio após terem o acesso ao ingrediente cortado logo após a aquisição. Rahal diz que a oferta a esses grupos dependerá do andamento judicial: “A ação e a nova capacidade são assuntos separados”. Até agora, nenhuma venda externa foi concretizada.
Ao colocar a EPG novamente no radar de grandes fabricantes, a David Protein pressiona o mercado a revisar formulações e buscar mais eficiência calórica. Para seguir acompanhando movimentos que impactam rentabilidade e inovação em alimentos, visite a editoria Lavoura Digital & Econômica.
Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews
