Produção de cana 2025/26: Conab revê safra para 673 mi t
Produção de cana 2025/26 ganha leve fôlego: a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra para 673,25 milhões de toneladas, quase 7 milhões acima do previsto no relatório anterior e apenas 0,5% abaixo do recorde do ciclo passado. O ajuste indica alívio parcial para usinas que já calculam mix de açúcar e etanol de olho em rentabilidade imediata.
Conab ajusta números da safra após novo levantamento de campo
No documento publicado nesta sexta-feira, a Conab revisou para cima a produção total de cana-de-açúcar, que antes era projetada em 666,44 milhões de toneladas. Segundo o órgão, a reavaliação considerou dados colhidos até o fim de março em todas as regiões canavieiras.
Mesmo com o incremento, a colheita ainda ficará 0,5% menor que a do ciclo 2024/25, quando o país quebrou recorde histórico. O recuo modesto é atribuído a restrições hídricas, chuvas irregulares e ondas de calor que afetaram parte das lavouras no Centro-Sul.
O novo relatório completo da Conab detalha área plantada, produtividade média por hectare e expectativas regionais para o restante da moagem.
Açúcar cede ligeiramente; etanol cresce com força do milho
A produção de açúcar foi recalculada para 44,2 milhões de toneladas, queda de 260 mil t em relação ao levantamento anterior, mas 0,1% acima do volume da última safra. O ajuste reflete menor disponibilidade de matéria-prima em alguns polos e realocação de cana para o hidratado, beneficiado pela demanda doméstica.
Já o etanol somando cana e milho deve alcançar 37,5 bilhões de litros, contra 36,65 bilhões previstos anteriormente, expansão de 0,8% frente ao ciclo 2024/25. O crescimento é puxado pelo biocombustível de milho, alternativa que tem ganhado escala em Mato Grosso e Goiás e ajuda a diluir riscos climáticos concentrados na cana.
O que muda na prática para usinas e produtores
Para gestores de usinas, a revisão da Conab reforça a necessidade de calibrar mix de produção: com menos açúcar disponível e maior oferta de etanol, a disputa por margem pode se intensificar no segundo semestre. Produtores independentes de cana também precisam reavaliar contratos, pois preços spot podem oscilar conforme o mercado assimila os novos números.
Além disso, o leve recuo na cana por fatores climáticos mantém o alerta para investimentos em irrigação suplementar, variedades mais tolerantes ao calor e manejo de solo que retenha umidade. Na prática, quem já vem adotando tecnologias de monitoramento climático e planejamento hídrico tende a sofrer menos impacto em rendimento no campo.
O ponto que mais chama atenção é que, mesmo com clima adverso, a cana segue acima da linha de 670 milhões de toneladas, sinal de resiliência do setor e da adoção crescente de manejo de precisão. Para acompanhar outras análises sobre produtividade, custos e eficiência na lavoura, visite nossa editoria de Lavoura Digital e Econômica.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
