BTG capta US$ 370 mi para ampliar florestas sustentáveis
BTG Pactual TIG confirmou a entrada de US$ 370 milhões na primeira rodada de uma nova estratégia de investimentos florestais na América Latina, passo que antecipa aportes de até US$ 1,5 bilhão em cinco anos para ampliar florestas sustentáveis no Brasil, Uruguai e Chile.
Meta é escalar produção de madeira certificada e gerar créditos de carbono
Segundo o gestor Matheus Moura, responsável pela América Latina, a região combina solo fértil, ciclos de crescimento rápidos e mercados diversificados, cenário visto como “oportunidade singular” para investidores interessados em ativos naturais. O plano é formar mosaicos de espécies comerciais – como eucalipto e pinus – intercalados com áreas nativas preservadas, modelo que permite colher madeira certificada pelo FSC e, ao mesmo tempo, emitir créditos de carbono.
O Embrapa Florestas estima que esse tipo de manejo pode reduzir em até 30 % a pressão sobre biomas sensíveis, reforçando o argumento ambiental usado pelo BTG para atrair fundos de pensão, agências multilaterais e companhias em busca de neutralidade climática. Embora o banco não revele a lista de cotistas, nomes do porte de Microsoft e Meta já compram créditos do portfólio latino-americano do TIG em contratos de longo prazo.
Primeiro teste ocorreu no Paraná, em parceria com a Klabin
A tese estreou em agosto passado, quando o TIG, a Klabin e o fundo canadense BCI desembolsaram cerca de US$ 700 milhões para adquirir 100 mil hectares de florestas maduras no Paraná, dentro do Projeto Plateau. A transação validou o modelo de comprar áreas já plantadas ou degradadas, renovar talhões e monetizar o carbono estocado.
Na prática, o gestor calcula proteger e restaurar 135 mil hectares de mata nativa e plantar outras 135 mil hectares de florestas comerciais até o fim do ciclo. Parte do volume renderá madeira serrada, celulose e biomassa; o restante sustentará a emissão de créditos de remoção vendidos a preços atrelados à inflação internacional.
Estratégia paralela de reflorestamento já captou US$ 672 milhões
Além do novo fundo, o TIG mantém desde 2021 um veículo dedicado ao reflorestamento no Cerrado, com alvo de US$ 1 bilhão. Até o quarto trimestre de 2025, US$ 672 milhões haviam sido comprometidos, incluindo US$ 56 milhões aprovados pelo BNDES e um aporte não revelado da GenZero, plataforma de descarbonização ligada ao fundo soberano de Cingapura.
Somadas as iniciativas, a gestora administra hoje US$ 7,5 bilhões em ativos florestais e supervisiona 1,2 milhão de hectares nas Américas. O head global Gerrity Lansing afirma que décadas de experiência local reduzem risco jurídico e operacional, fator-chave para escalar projetos num ambiente de maior exigência por governança ESG.
O movimento do BTG sinaliza uma tendência de florestas sustentáveis como ativo financeiro relevante no agro latino-americano, combinando receita de madeira, diversificação geográfica e geração de créditos de carbono.
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Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
