Azeite brasileiro brilha em Portugal e leva ouro na Ovibeja
Azeite brasileiro ganhou destaque internacional ao conquistar o primeiro lugar na categoria Hemisfério Sul da tradicional Ovibeja, concurso realizado no Alentejo, Portugal, reforçando o potencial da olivicultura nacional mesmo com produção ainda modesta.
Premiação coloca rótulo Sabiá no radar global
Organizado pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), o concurso reuniu cerca de 120 amostras de mais de dez países. Entre elas, o Sabiá Coratina ficou em primeiro lugar e o Sabiá Blend de Terroir alcançou a terceira posição na mesma categoria. Os resultados foram exibidos pela Band, ampliando a repercussão entre produtores e consumidores brasileiros.
A vitória é significativa porque o Alentejo responde por quase metade de todo o azeite feito em Portugal, um dos três maiores exportadores do mundo. Entrar para a lista de premiados na região é, portanto, um selo de qualidade que atrai distribuidores, encurta o caminho para mercados gourmet e pode elevar o valor pago pela garrafa no Brasil e no exterior.
Origem em duas regiões: Mantiqueira e Serra do Sudeste
O Azeite Sabiá cultiva oliveiras em Santo Antônio do Pinhal (SP), na Serra da Mantiqueira, e em Encruzilhada do Sul (RS), na chamada Serra do Sudeste. Ao diversificar os olivais, a empresa dribla variações climáticas, alonga a colheita e obtém perfis sensoriais distintos para seus blends.
Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o país deve colher perto de 1 milhão de litros em 2026, com 80% do volume vindos do Rio Grande do Sul. Ainda assim, a produção interna representa menos de 1% dos cerca de 100 milhões de litros consumidos anualmente no mercado nacional.
Na prática, prêmios como o da Ovibeja ajudam a:
- atrair investimento para novos pomares, especialmente em áreas de altitude;
- estimular a adoção de práticas de manejo de alta precisão que elevem rendimento por hectare;
- posicionar azeites brasileiros em nichos de valor agregado, reduzindo a dependência de importados.
Desafio segue sendo escala produtiva
Para ganhar competitividade, especialistas apontam a necessidade de mecanização da colheita, escolha de cultivares adaptadas ao clima local e pesquisa contínua em pragas específicas. A Embrapa mantém estudos sobre variedades mais produtivas para regiões frias e subtropicais, focando em encurtar o tempo de entrada em produção e estabilizar teores de oleico.
Enquanto isso, a demanda crescente por azeites premium cria espaço para pequenas marcas que investem em terroir diferenciado, rastreabilidade e extração a frio logo após a colheita, estratégia usada pelo Sabiá para preservar compostos aromáticos e reduzir acidez.
Com premiações sucessivas e reconhecimento em concursos europeus, a expectativa é que mais produtores brasileiros busquem certificações de origem e ampliem a adoção de tecnologia para ganhar escala e eficiência. Para acompanhar outras movimentações que impactam rentabilidade e produtividade no campo, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
