Temperatura do milho: limite que corta produtividade
Temperatura do milho passou a ser tratada como variável crítica depois que simulações mostraram queda de rendimento quando a média diária ultrapassa 21 °C ou a máxima supera 26 °C, patamar que acelera a respiração da planta e drena energia essencial à formação de grãos.
Por que o termômetro virou aliado estratégico na lavoura
Pesquisadores analisaram, via modelo Hybrid-Maize, quatro regiões do Rio Grande do Sul e constataram um padrão claro: quanto maior o calor constante, menor o potencial produtivo. O resultado está ligado à fotossíntese líquida — diferença entre a energia gerada e a consumida na respiração. Em condições próximas à temperatura ótima, o saldo é positivo; acima desse ponto, o custo energético sobe e a assimilação de carbono não acompanha o ritmo, reduzindo o enchimento de grãos.
O estudo também lembra os chamados limites letais e cardinais, faixas de temperatura que norteiam cada fase do ciclo. Conhecer esses números ajuda o produtor a planejar janelas de semeadura e escolher híbridos tolerantes, especialmente em regiões sujeitas a veranicos.
Queda de produtividade começa antes do estresse extremo
Ao comparar regiões Nordeste, Sul, Centro e Noroeste do estado, o levantamento mostrou que áreas com menor amplitude térmica — caso do Nordeste gaúcho — sofreram menos perda, reforçando o peso das médias diárias. A partir de 21 °C, a curva descendente já se torna visível, e o prejuízo se acentua quando as máximas superam 26 °C de forma recorrente.
Na prática, isso significa que semeaduras tardias, que empurram o enchimento de grãos para meses mais quentes, ficam mais vulneráveis. Ajustar calendário, intensificar monitoramento climático e investir em cultivares de ciclo adequado são decisões que podem preservar de 5% a 15% do rendimento potencial, segundo a equipe que avaliou os dados.
Três ações para mitigar o impacto térmico
1. Planeje a época de plantio: sincronizar o período reprodutivo com temperaturas mais amenas reduz o gasto energético na respiração.
2. Escolha híbridos tolerantes: consulte dados de desempenho em altas temperaturas e priorize materiais com folhas mais eretas, que dissipam calor.
3. Monitore o microclima: sensores e estações automáticas ajudam a antecipar estresses e ajustar irrigação ou aplicações de reguladores quando disponíveis.
Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, práticas de manejo que mantêm o solo coberto — como cobertura vegetal e palhada — também contribuem para amortecer picos de temperatura próximos ao dossel, favorecendo trocas gasosas.
O detalhe mais relevante é que o Brasil avança sobre áreas mais quentes em segunda safra, elevando o risco de o milho atingir rapidamente o limiar de 26 °C. Considerar o balanço energético na planilha de planejamento pode representar a diferença entre safra cheia e resultado aquém do esperado.
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Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
