MSD Saúde Animal dobra receita e aposta em dados no campo
MSD Saúde Animal acaba de alcançar R$ 2,1 bilhões no Brasil ao migrar de empresa focada em medicamentos para uma operação guiada por sensores, algoritmos e planos de assinatura que monitoram cada bovino. O avanço, liderado pelo presidente Delair Bolis, muda a forma como o produtor toma decisões, reduz perdas e escala produtividade.
Sensores, IA e assinatura: o novo motor de crescimento
Nos últimos seis anos, a filial brasileira dobrou de tamanho ao colocar tecnologia no centro da estratégia. Colares e brincos inteligentes coletam dados de comportamento, alimentação e saúde em tempo real. Essas informações alimentam algoritmos que indicam, antes de qualquer sinal visível, variações de bem-estar ou risco sanitário. Em vez de vender o equipamento à vista, a companhia adotou um modelo de assinatura “estilo Netflix”, diluindo o investimento e facilitando a entrada do pequeno e médio pecuarista.
O resultado foi imediato: o número de vacas monitoradas saltou de 30 mil para 165 mil em apenas doze meses, com meta de ultrapassar 200 mil cabeças ainda este ano. Para o produtor, isso significa menos antibióticos, ganho de peso mais rápido e uso otimizado de insumos, fatores que impactam diretamente a margem da fazenda.
Doenças sob controle e valor por animal em alta
Segundo Bolis, o valor econômico de cada vaca de elite já chega a R$ 100 mil, o que inviabiliza a gestão “por lote” e exige olhar individual. Ao antecipar doenças, o sistema diminui mortalidade e descarte precoce, além de evitar vacinas ou tratamentos desnecessários. “Se o dado aponta alteração e o tratador não percebe, o produtor confia no algoritmo e age”, resume o executivo.
Esse movimento ocorre em um mercado que deve atingir R$ 12 bilhões em 2025. Mesmo assim, menos de 30 % da pecuária de corte e leite usa soluções avançadas, enquanto aves e suínos já superam 80 % de adoção tecnológica, segundo estimativas do setor e de entidades como a Embrapa.
Brasil como laboratório de inovação para a Merck
Com a operação nacional agora segunda maior do grupo – a Merck & Co. faturou US$ 65 bilhões em 2025 –, o país funciona como campo de testes em escala. O objetivo é capturar eficiência onde há maior disparidade entre potencial produtivo e resultado real: o Brasil possui 12 % do rebanho leiteiro mundial, mas só 4 % da produção de leite.
Para acelerar a curva de adoção, a MSD investe 20 % do faturamento, cerca de R$ 400 milhões por ano, em inovação. A prioridade são soluções que tornem obsoletos modelos tradicionais, reforçando a agenda de rastreabilidade individual que o governo pretende estender a 100 % dos 238 milhões de bovinos até 2032.
O que muda na prática para o produtor
Na rotina da fazenda, a combinação de sensores, análise preditiva e modelo de assinatura traz três ganhos principais:
- Produtividade: detecção precoce de cio e doenças reduz intervalo entre partos e perdas por enfermidades.
- Economia: menor uso de medicamentos e melhor conversão alimentar elevam a rentabilidade.
- Mercado: dados rastreáveis ampliam acesso a compradores que exigem transparência sanitária.
Com a virada digital, a companhia quer ser lembrada menos como fornecedora de vacinas e mais como parceira de dados que impulsionam bem-estar animal e lucro no pasto. Para acompanhar outras soluções de sensores, robótica e gestão inteligente nos rebanhos, visite nossa editoria de agrorrobótica e gestão de dados.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
