Inovação Agro

Alta do arroz no RS sobe 12% em março, margens seguem negativas

Alta do arroz no RS voltou a ganhar força em março, com o Indicador CEPEA/IRGA‐RS saltando 12,14% em um mês, mas o avanço não foi suficiente para tirar o produtor do vermelho: o custo por hectare segue acima da receita e a venda do grão continua travada.

Preços sobem, mas liquidez continua travada

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O preço médio fechou o mês em R$ 58,83 por saca de 50 kg (58% de grãos inteiros), contra R$ 54,86 no fim de fevereiro. Mesmo assim, as negociações ocorreram a passos lentos. Compradores precisaram rever ofertas para garantir matéria-prima, porém esbarraram na retração dos orizicultores, que esperam cotações mais altas para cobrir custos.

Por microrregião, as maiores valorizações foram registradas na Campanha (+9,72%, a R$ 57,06/sc) e na Depressão Central (+10,24%, a R$ 55,09/sc). Na Planície Costeira Externa, Planície Costeira Interna, Zona Sul e Fronteira Oeste, os ganhos oscilaram de 3,26% a 7,99%, sinalizando um movimento relativamente uniforme no estado.

Custo de produção ainda supera receita

Segundo cálculo do Cepea/Esalq, o custo total de produção em fevereiro chegava a R$ 16.938,55/ha em Uruguaiana e a R$ 14.998,12/ha em Camaquã — valores que exigiriam cotações bem superiores às atuais para empatar a conta. O diesel mais caro, gargalos logísticos e o dólar volátil reforçam a cautela no campo e na indústria.

Na prática, isso significa que muitos produtores seguram o estoque e priorizam pagar contas de curto prazo com outras fontes de caixa, evitando liquidar arroz enquanto a margem estiver negativa. O reflexo direto no mercado é menor disponibilidade física justamente em um momento de demanda firme por arroz beneficiado.

Crédito, leilões e tentativa de aliviar a pressão de caixa

Entidades do setor articulam a ampliação do cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26 de quatro para oito parcelas. A flexibilização reduziria a concentração de vendas no período de colheita, quando o preço historicamente recua.

Paralelamente, o Governo Federal autorizou leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) com limite de até R$ 70 milhões. Os editais ainda não foram publicados, mas a expectativa é que os incentivos ajudem a equilibrar oferta e demanda no curto prazo.

Colheita atrasada adiciona incerteza

O atraso causado pelo clima complica ainda mais o cenário. Até 27 de março, o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) contabilizava 39,9% da área colhida no estado, contra 51,6% no mesmo período do ciclo passado. No ranking regional, a Planície Costeira Externa lidera a colheita (51,94%), enquanto a Região Central é a mais atrasada (28,38%).

No Brasil, a Conab aponta 39,5% de área colhida, mas com forte disparidade: Goiás praticamente encerrou (99%), Santa Catarina avançou para 83%, enquanto Maranhão mal chegou a 6,5%. O ritmo lento no principal estado produtor mantém o mercado atento a possíveis repiques de preço ou novas medidas de suporte.

Em resumo, o salto de 12% no valor da saca oferece fôlego, mas ainda não cobre o custo por hectare, mantendo o produtor gaúcho em compasso de espera. Para acompanhar mais análises sobre rentabilidade, custos e eficiência econômica na lavoura, acesse nossa editoria dedicada em lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja

Francisco devruk

Francisco

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