Comigo eleva capacidade com nova esmagadora de soja de R$ 1,5 bi
Comigo investe em nova esmagadora de soja para quase dobrar o processamento diário da cooperativa, aliviar custos de logística e abrir caminho para a futura produção de biodiesel. Mesmo em um cenário de crédito restrito e margens menores, o projeto de R$ 1,5 bilhão começa a operar já em 2026 e é peça-chave para a meta de superar R$ 30 bilhões em faturamento na próxima década.
Projeto bilionário amplia escala e prepara entrada no biodiesel
Anunciada com transmissão pela Record, a nova planta em Palmeira de Goiás adicionará 6 mil t/dia às atuais 5,5 mil t/dia da Comigo. A localização foi escolhida para explorar a Ferrovia Norte-Sul, reduzindo frete de grãos e de farelo. Segundo o presidente-executivo Dourivan Cruvinel, a unidade deve operar parcialmente ainda este ano, aumentando a oferta de óleo e farelo e posicionando a cooperativa para o próximo passo: uma usina de biodiesel em Rio Verde, já desenhada, mas prevista apenas para depois que a esmagadora atingir plena carga.
Em 2025, a Comigo fechou com faturamento recorde de R$ 14,1 bilhões e resultado bruto acima de R$ 1 bilhão. A aposta na nova indústria, somada à abertura de uma loja por ano e à expansão de armazéns, pretende tornar a cooperativa ainda mais verticalizada e menos exposta à volatilidade de preços da soja.
Produtor mais cauteloso expõe desafios de curto prazo
Apesar do plano de expansão, 2026 começou turbulento: soja perto de R$ 100 a saca, juros altos e aumento da inadimplência frearam investimentos no campo. O reflexo foi visível na Tecnoshow Comigo, onde o público caiu de 140 mil para 120 mil visitantes e os negócios recuaram cerca de 30%, para algo em torno de R$ 7 bilhões. Máquinas agrícolas foram as mais afetadas, com queda estimada de 50%, enquanto a venda de insumos se manteve em torno de R$ 1,2 bilhão.
De acordo com Claudio Teoro, diretor de insumos, muitos produtores financiaram equipamentos quando a soja valia mais de R$ 150. Agora, precisam honrar parcelas com a cotação bem menor, cenário que mantém o apetite por grandes compras em compasso de espera.
Logística e margem: por que a nova planta importa para o campo
Na prática, a esmagadora em Palmeira reduz custos de transporte da soja goiana, gera demanda regional por grãos e fortalece o mercado de farelo para nutrição animal. Para o produtor, isso significa potencial prêmio de preço na porta da fazenda e opção adicional de entrega em contratos de barter. O projeto também sinaliza tendência de integração industrial no Centro-Oeste, movimento alinhado com a estimativa da Conab de produção crescente de soja na região.
Ao mesmo tempo, a estratégia de agregar valor antes de exportar grão in natura funciona como colchão de margem para a cooperativa em ciclos de preços mais baixos, aumentando a previsibilidade de caixa e a capacidade de oferecer crédito próprio aos associados.
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Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
