Agrorobótica e Gestão de Dados

Etanol de milho impulsiona interior e afasta nova crise, diz Fava

Publicidade

Etanol de milho virou sinônimo de desenvolvimento rápido no interior do Brasil e, segundo o professor Marcos Fava Neves, tende a crescer sem repetir a quebradeira que marcou o boom da cana nos anos 2000. Em entrevista transmitida pela Record, o especialista afirmou que a combinação de combustível, ração (DDG) e biofertilizantes cria um ciclo econômico capaz de sustentar novas usinas e dar previsibilidade ao produtor.

Bioenergia “carnifica” o agro e fixa renda no campo

Publicidade

Fava Neves chama de “empoderamento bioenergético” o avanço de plantas de etanol de milho em polos como Luís Eduardo Magalhães (BA), onde a Inpasa ergueu uma fábrica de R$ 1,5 bilhão em apenas 14 meses. O modelo, explica ele, não se resume ao combustível: cada tonelada processada gera DDG, farelo que atrai pecuária intensiva, além de biogás, biometano e fertilizantes organominerais. “É a ‘carnificação’ do agro brasileiro”, resume.

Na prática, o produtor regional ganha mercado cativo para o grão, acesso a insumos mais baratos e possibilidade de integrar lavoura, pecuária e energia em um mesmo raio logístico. Segundo levantamento da Embrapa, cada litro de etanol gera de 2,8 a 3 kg de DDG, reforçando a demanda por milho e proteína animal.

Porque o risco de colapso é menor que na cana

No passado, a corrida por usinas de cana resultou em endividamento, inflação de equipamentos e, depois, recuperação judicial em série. Para Fava Neves, o etanol de milho segue trajetória diferente: as unidades surgem de forma escalonada, com projetos padronizados e capital de empresas experientes como FS e Inpasa. Além disso, a dupla demanda – energia para carros flex e proteína animal – reduz a dependência do preço de petróleo.

O ponto de atenção continua sendo a cotação do barril. Se o petróleo cair abaixo de US$ 50, a competitividade do biocombustível pode encolher, mas o professor acredita que a própria OPEP tende a limitar oferta para proteger receitas. Projeções da EPE indicam consumo nacional de etanol saltando de 35 bilhões para 46 bilhões de litros em dez anos, dos quais 21,8 bilhões podem vir do milho.

Impacto direto para quem produz milho e proteína

• Preço base: usinas costumam travar compras antecipadas, reduzindo volatilidade.
• Logística: menos frete até portos, mais rotas curtas entre lavoura e indústria.
• Ração local: DDG barateia produção de carne, incentivando confinamentos nas novas fronteiras agrícolas.
• Biofertilizante: uso de organomineral ajuda a cortar custos com adubo químico.

Esse efeito em cadeia explica, conforme o pesquisador, por que a saca de milho abaixo de R$ 30 dificilmente volta a ocorrer: “O etanol virou hedge para o cereal nas regiões distantes dos portos”.

Janela de expansão de 10 a 20 anos para grãos

Publicidade

Mesmo com margens apertadas na safra atual, Fava Neves projeta que a área plantada brasileira pode avançar até 20 milhões ha na próxima década, aproveitando pastagens degradadas. A demanda global por soja cresce perto de 11 milhões t ao ano; para o milho, o acréscimo recente foi de 40 milhões t anuais, o equivalente a um terço da produção brasileira.

Para acompanhar mais análises sobre eficiência econômica no campo e oportunidades ligadas à bioenergia, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed

Francisco devruk

Amiltom

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

Bloqueador de Anúncios Ativado!

Por favos desligue o Bloqueador de Anúncios. Nosso blog sobrevive graças aos anúncios exibidos aqui.