Mistura de biocombustíveis deve subir e cortar custos no campo
Mistura de biocombustíveis ganhou força entre parlamentares e executivos do agronegócio durante encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. As lideranças pedem que o governo amplie, já nos próximos meses, o percentual de biodiesel no diesel e de etanol na gasolina, argumentando que a medida diminui a dependência de derivados de petróleo, suaviza os custos logísticos e acelera metas de descarbonização.
Pressão política e empresarial pela nova fatia de biodiesel e etanol
Participando de forma remota, a senadora Tereza Cristina afirmou que o cenário de instabilidade no Oriente Médio, com reflexos imediatos nos preços internacionais do petróleo, reforça a necessidade de “tornar o Brasil menos vulnerável a choques externos”. Segundo ela, o aumento da mistura pode ser feito sem comprometer a oferta de alimentos porque a bioenergia já convive de forma complementar com a produção agrícola.
No palco do evento, o deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, lembrou que a integração entre grãos, proteína animal e energia amplia a competitividade de toda a cadeia. “Quando mostramos à União Europeia que biocombustível não rouba espaço da comida, o argumento se fortaleceu”, disse.
O posicionamento político foi endossado por representantes da indústria. Alfredo Miguel Neto, diretor de assuntos corporativos da John Deere, revelou que a empresa já testa máquinas 100 % movidas a biodiesel e protótipos de tratores a etanol, sinalizando que a oferta de equipamentos prontos para operar com teores mais altos de renováveis não será um gargalo.
Viabilidade técnica garante implementação rápida
Para Cláudio Brisolara, responsável pela área econômica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), nada impede que a mistura seja elevada imediatamente. “Há matéria-prima disponível, a tecnologia é conhecida e o resultado direto é menor participação de combustíveis fósseis na matriz”, avaliou. Ele destacou que mais biodiesel no diesel reduz a volatilidade de preços ao mesmo tempo em que injeta receita em regiões produtoras de soja, principal insumo do combustível renovável.
Esse diagnóstico converge com notas técnicas já publicadas pelo Ministério da Agricultura, que corroboram a compatibilidade dos motores atuais com teores mais elevados de biodiesel e etanol (confira o documento oficial).
Custos internos, juros altos e a busca por eficiência
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado Pedro Lupion lembrou que fertilizantes caros e juros reais próximos de 15 % comprimem margens no campo. Segundo ele, produzir mais combustível renovável dentro do país pode aliviar a conta de óleo diesel, hoje um dos principais itens de custo para quem movimenta máquinas e freta caminhões.
Além do alívio financeiro, a mudança se encaixa nos compromissos de redução de emissões assumidos pelo Brasil e abre caminho para que produtores obtenham créditos de carbono ou prêmios em mercados compradores que exigem menor pegada de CO₂.
Se o governo acolher a sugestão das lideranças, a nova proporção de renováveis começará a valer em etapas, respeitando a capacidade de usinas e distribuidoras. Na prática, o produtor rural pode sentir dois efeitos imediatos: menor gasto por litro na bomba, caso a oferta pressione os preços para baixo, e valorização de culturas voltadas à bioenergia, como soja e milho para etanol.
Movimentos como esse mostram que eficiência econômica e sustentabilidade caminham juntas. Para acompanhar outras estratégias que impactam custos e rentabilidade da lavoura, siga nossa editoria de lavoura digital e economia no campo.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
