Agrorobótica e Gestão de Dados

Usina Da Mata projeta moagem recorde e reforça caixa em 2026

Usina Da Mata aposta em produtividade para atingir 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026 e, ao mesmo tempo, alonga dívidas com nova emissão de debêntures, buscando blindar o caixa diante da queda nos preços do açúcar.

Meta operacional mira 5 milhões de toneladas sem abrir área

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Depois de encerrar 2025 com moagem recorde de 4,4 milhões de toneladas e produtividade de 71 t/ha, a Da Mata Açúcar e Álcool, sediada em Valparaíso (SP), traçou um novo topo: processar 5 milhões de toneladas já nesta temporada. A expansão virá essencialmente de ganhos agronômicos, reforça o diretor-executivo Luiz Augusto Rezende Nascimento. Dos 76 mil hectares controlados pela companhia, 83% são próprios e 13 mil são renovados a cada safra, ritmo considerado suficiente para sustentar o avanço sem ocupar novas áreas.

O incremento agrícola também passa pela ampliação da irrigação, que saltou de 28 mil para 60 mil hectares após a seca de 2024. “Não ficamos imunes ao clima, mas reduzimos a volatilidade produtiva”, destaca Nascimento.

Mix flexível pende ao etanol, mas foco segue no açúcar

Com as cotações internacionais do adoçante 22,1% menores em 2025, metade das vendas de 2026 já foi travada e o mix de produção migrou, no momento, para o etanol. Ainda assim, a visão de longo prazo mantém o açúcar no centro da estratégia. Nos últimos cinco anos, R$ 33 milhões foram direcionados à ampliação da fábrica, elevando a capacidade de 40 mil para 50 mil sacas diárias. Um novo aporte de R$ 15 milhões que levaria a planta a 65 mil sacas está em compasso de espera até que o mercado mostre sinais de reação.

Disciplina financeira: margem de 51% e dívida mais longa

Mesmo com receita 18% menor, de R$ 1,2 bilhão em 2025, a empresa preservou geração de caixa: Ebitda de R$ 646 milhões, margem de 51% e lucro líquido de R$ 192 milhões. Esse colchão operacional dá fôlego para a terceira emissão de debêntures, no valor de R$ 125 milhões, destinada ao custeio de etanol anidro e hidratado entre 2028 e 2032. As captações anteriores, em 2024, somaram R$ 499 milhões.

“A nova emissão alonga perfil da dívida e fortalece o caixa para atravessar um ciclo de preços mais apertado”, explica o executivo. Segundo a Conab, o recuo do açúcar em Nova York pressiona margens de usinas de todos os portes, o que torna a robustez financeira ainda mais decisiva.

Por que o movimento merece atenção no campo

Para produtores integrados à cana ou fornecedores independentes, o avanço de produtividade agrícola sem expansão de área indica que tecnologia e manejo seguem gerando resultados mesmo em fases de preço baixo. Do lado das finanças, a busca por mercados de capitais sinaliza tendência de alongamento de dívidas para mitigar ciclos voláteis, prática que pode ganhar força no setor sucroenergético.

No balanço, a Da Mata mostra que, em momentos de pressão, disciplina de custos, irrigação estratégica e flexibilidade de mix são armas para proteger margens e manter investimentos alinhados à realidade de mercado.

Para acompanhar mais análises sobre produtividade, eficiência de custos e gestão econômica no campo, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed

Francisco devruk

Amiltom

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