Inovação Agro

Alta de fertilizantes encarece milho nos EUA em US$35/acre

Publicidade

Alta de fertilizantes causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz está adicionando até US$ 35 por acre ao custo do milho nos Estados Unidos e abrindo um novo front de pressão sobre margens, planejamento de safra e preços dos alimentos em todo o mundo.

Choque logístico no Golfo Pérsico trava 30% da ureia global

Publicidade

Segundo relatório do Rabobank, a interrupção de navios no Estreito de Ormuz – por onde passam 30% da ureia, 27% da amônia, 24% dos fosfatos e 48% do enxofre exportados no planeta – gerou um supply shock sem substituição imediata. O banco alerta que os mercados de nitrogênio são os mais expostos, com pressão semelhante nos fosfatos. Mesmo a potassa, antes mais equilibrada, tende a subir por efeito-cascata dos demais nutrientes.

O estudo observa que países do Norte da África (Egito, Argélia e Marrocos) emergem como rota alternativa, mas não conseguem suprir totalmente a lacuna deixada pelo Oriente Médio. Exemplos já citados incluem carregamentos de ureia egípcia rumo ao Canadá e volumes nigerianos direcionados aos Estados Unidos e ao Brasil.

Para produtores, isso significa risco de destruição de demanda: menos adubação, compras postergadas e possível troca para culturas menos exigentes em nitrogênio.

Custo extra de US$ 35/acre pesa na conta do milho americano

No cinturão do milho dos EUA, o salto da ureia elevou o custo de produção em até US$ 35/acre nas lavouras mais intensivas, soma que vem acompanhada de diesel e energia mais caros. O Rabobank avalia que “o verdadeiro perigo ainda pode estar por vir”, citando margens espremidas para fábricas de fosfato domésticas – dependentes de enxofre – e a chance de parte da produção migrar para mercados como Índia e Brasil, deixando vazio o estoque interno quando chegar o outono.

Na prática, o produtor americano já considera reduzir doses de adubo, rever contratos futuros e, em casos extremos, optar por soja ou sorgo, menos demandantes de nitrogênio.

Efeito dominó atinge Brasil, Europa e Austrália

Embora o Brasil importe 90% dos fertilizantes, a maior parte da ureia chega entre maio e dezembro, o que dá margem de manobra se o impasse se resolver rápido. Ainda assim, a Rabobank ressalta que, em cenários prolongados, o país terá de disputar produto mais caro com os Estados Unidos e a Índia.

Publicidade

Na Europa, a ureia já subiu 40%, nitratos 15-20% e amônia 12%. O problema é turbinado pelo gás natural, insumo básico da amônia: usinas como a Duslo, na Eslováquia, já reduziram produção. Mais agricultores europeus planejam cortar aplicação ou migrar para culturas menos nitrogenadas.

Na Austrália, dependente de importações, a margem das fazendas está no limite; a tendência é de menor uso de fertilizante e rotação para cevada ou canola, culturas de menor insumo.

Para entender melhor estratégias de manejo em cenários de insumos voláteis, a Embrapa mantém conteúdos técnicos sobre adubação eficiente no programa FertBrasil, apontando ajustes de dose e fontes alternativas que podem mitigar parte dos impactos.

O avanço dos preços e a incerteza logística reforçam a necessidade de monitorar custos e calibrar decisões de adubação a cada novo dado de mercado. Para seguir acompanhando medidas de eficiência econômica e otimização de insumos na lavoura, acesse nossa editoria de lavoura digital e econômica.

Crédito da imagem: Agfundernews Fonte: Agfundernews

Francisco devruk

Francisco

Transformando visão em realidade através da dedicação, da técnica e do compromisso com a excelência

Bloqueador de Anúncios Ativado!

Por favos desligue o Bloqueador de Anúncios. Nosso blog sobrevive graças aos anúncios exibidos aqui.