Safra de soja 2025/26 em Mato Grosso cresce 1,3% e desafia clima
Safra de soja 2025/26 em Mato Grosso registra aumento de 1,31% e chega a 51,56 milhões de toneladas, impulsionada por produtividade média de 66,03 sacas por hectare. Os números, apresentados por Imea, Aprosoja MT e Iagro MT, revelam a força produtiva do estado mesmo sob instabilidade climática e oferecem dados estratégicos para planejamento de custos, comercialização e manejo na próxima temporada.
Produtividade sobe e produção bate 51,56 mi t
Na coletiva realizada em Cuiabá e transmitida pela Record, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) detalhou o balanço final da etapa soja do projeto Imea em Campo. A média estadual saltou de 60,45 para 66,03 sacas/ha, assegurando ganho de 1,31% sobre a safra anterior e consolidando dois anos consecutivos com produção acima de 50 milhões de toneladas.
Para chegar aos dados, a equipe técnica percorreu 34 mil km, visitou 998 talhões em 71 dias e mediu grãos por planta, peso de grãos e plantas por hectare. O levantamento cobre cerca de 3 milhões de hectares e reforça a credibilidade dos indicadores, essenciais para travar custos, ajustar contratos e balizar decisões de compra de insumos.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, destacou que a parceria “traz mais coerência aos números que influenciam diretamente o preço recebido pelo produtor”. Já Cleiton Gauer, superintendente do Imea, apontou que o principal desafio para 2026/27 será a rentabilidade, pressionada pela queda do dólar e pela volatilidade geopolítica.
Desafios climáticos afetam qualidade dos grãos
Segundo o analista do Imea, Henrique Eggers, o excesso de chuvas no momento da colheita elevou o índice de grãos avariados, enquanto veranicos localizados no início do ciclo comprometeram peso de grãos em regiões pontuais. “A chuva ajudou a manter a produtividade, mas dificultou a conquista de um novo recorde estadual”, afirmou.
A radiografia regional mostra realidades distintas:
- Norte – maior número de grãos por planta e ganho de peso, sustentando a média estadual;
- Centro-Sul – mais grãos por planta, porém com peso reduzido;
- Sudeste – queda acentuada no número de grãos por planta e peso abaixo da média;
- Nordeste – aumento de plantas por hectare, mas grãos por planta bem inferiores.
Esse mosaico reforça a importância do zoneamento de risco climático e da adoção de cultivares adequadas a cada micro-região. Para aprofundar cenários de produção nacional, o produtor pode consultar os boletins da Conab, que complementam a visão local com projeções de mercado.
O que muda na prática para o produtor
Com a confirmação dos 51,56 milhões t, a oferta interna de soja se mantém robusta, dando fôlego para quem aposta em contratos antecipados. Contudo, a pressão nos prêmios e o câmbio mais baixo exigem cautela: margens mais apertadas podem frear novos investimentos e obrigar ajustes no pacote tecnológico.
Do ponto de vista operacional, os dados regionais servem de termômetro para calibrar semeadura, população de plantas e escolha de cultivares tolerantes a estresse hídrico. Já os alertas sobre grãos avariados reforçam a necessidade de monitorar janelas de colheita, investir em logística de escoamento e adotar práticas de manejo que reduzam perdas pós-colheita.
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Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
