Piccin amplia exportações para segurar receita em 2026
Piccin acelerou as vendas externas para escapar da queda de até 8% prevista no mercado brasileiro de máquinas e implementos agrícolas em 2026, mirando manter caixa e competitividade num ciclo de margens apertadas para o produtor.
Exportação vira motor de crescimento em meio a retração doméstica
A fabricante paulista de implementos para preparo de solo fechou 2025 com alta de 80% nas remessas ao exterior. O ritmo não só se manteve como já superou o planejado em 2026: nos três primeiros meses, o volume embarcado ficou 40% acima da meta inicial. O CEO Camilo Ramos calcula que as exportações, hoje concentradas na América do Sul, América Central e Canadá, podem saltar de 10% do faturamento em 2025 para até 25% neste ano, dependendo da reação (ou falta dela) do mercado interno.
A ofensiva lá fora contrasta com o cenário doméstico. Segundo a Abimaq, o faturamento do setor de máquinas agrícolas deve encolher 8% em 2026, após um tombo de 17% apenas no primeiro bimestre. Juros elevados, crédito seletivo e preços mais baixos da soja, milho e algodão inibem novos investimentos nas fazendas, aumentando a inadimplência rural para 7,3% – 7,4% das operações com mais de 90 dias de atraso, de acordo com o Banco Central.
Eficiência máxima e proximidade com o cliente são palavras de ordem
Com a venda “acontecendo em algum lugar”, Ramos reforçou o trabalho de campo junto a revendas e produtores para mapear nichos que ainda compram. Internamente, cortou custos, redesenhou processos e mantém o foco em giro de caixa. O executivo admite que implementos costumam cair mais do que a média do setor, pois dependem de uso imediato e não de estoques em concessionárias, o que intensifica o impacto da crise.
Agricultura digital avança, mas ainda sem tração forte
Além do salto exportador, a Piccin tenta reduzir a dependência do “vender ferro” por meio da plataforma Green X e do spin-off de agricultura de precisão batizado Família Terrus. A solução entrega análise de solo até predição de manejo em 2 milhões de hectares, incluindo áreas de grãos, café e florestas. Hoje, porém, essa vertical representa só 2% da receita. “O produtor acha a tecnologia interessante, mas adia a adoção em meio a margens curtas e maior aversão a risco”, explica Ramos.
Mesmo com essa resistência, a direção da empresa vê pressão crescentes por eficiência no campo como catalisador da digitalização a médio prazo. “A eficiência virou mantra; é difícil o produtor não caminhar para isso”, diz o CEO, confiante de que a demanda deve se acelerar quando o crédito voltar a fluir.
Feiras espelham o humor do mercado
As primeiras grandes feiras do ano evidenciaram o cenário instável. Show Rural Coopavel e Expodireto resultaram em vendas fracas, enquanto a Tecnoshow, em Rio Verde (GO), surpreendeu positivamente: metade das máquinas expostas foram negociadas nas primeiras horas de evento. Ainda assim, Ramos prefere cautela: “O quadro geral continua duro, então execução comercial e custos enxutos permanecem no centro da estratégia”.
No curto prazo, a combinação de exportação forte, controles internos rígidos e avanço gradual da agricultura digital deve sustentar a Piccin enquanto o mercado local não reage. Para acompanhar outras iniciativas de automação e inteligência aplicada à lavoura, visite nossa editoria de automação agrícola e IA.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
