Crise agrícola nos EUA: quatro safras seguidas no vermelho
Crise agrícola nos EUA entra no quarto ano consecutivo de perdas, acendendo alerta para produtores de todo o mundo: queda de preços de grãos, disparada de custos e avanço de falências já remodelam o mercado e indicam riscos para quem depende de insumos ou exportações norte-americanas.
Preços em queda versus custos em alta expõem gargalo financeiro
O gatilho da crise foi a virada brusca de mercado após o pico de 2022. Desde então, a soja perdeu cerca de 40 % do valor, recuando de US$ 16,40 para perto de US$ 10 por bushel. No mesmo intervalo, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF), custos operacionais por acre dispararam: juros (+71 %), mão de obra (+47 %), fertilizantes (+37 %), combustíveis (+32 %), manutenção (+27 %) e defensivos (+25 %).
Com receitas comprimidas, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta renda líquida setorial de US$ 153,4 bilhões em 2026, quase US$ 30 bilhões abaixo do recorde de 2022. Uma análise da AFBF estima prejuízo acumulado de US$ 50 bilhões nas três últimas safras, mesmo após seguros e auxílios federais.
Endividamento cresce e venda de máquinas desaba
No campo, o sintoma mais visível é a escalada do crédito operacional: o Federal Reserve de Kansas City registrou aumento de quase 40 % nos novos contratos agrícolas no quarto trimestre de 2025. O tamanho médio dos empréstimos subiu 30 % em um ano, alongando prazos e apertando margens.
A tesoura financeira refletiu diretamente nas concessionárias. Dados da Association of Equipment Manufacturers mostram retração entre 35 % e 45 % nas vendas de tratores de grande porte e colheitadeiras em 2025. A John Deere reportou queda de 12 % na receita e demitiu 1.800 funcionários só em Iowa. A fabricante prevê novo recuo de até 20 % no mercado de máquinas pesadas em 2026.
Falências rurais e impacto geopolítico ampliam pressão
Os pedidos de recuperação judicial do tipo Chapter 12 saltaram 46 % em 2025, totalizando 315 registros — indicador simbólico que revela o esgotamento de muitas propriedades familiares. Estados como Montana e Geórgia viram os casos dobrarem ou triplicarem.
O cenário ainda piorou com custos extras de fertilizantes e diesel após o fechamento do Estreito de Ormuz, consequência do conflito com o Irã. A escassez de nitrogênio já levou o USDA a prever a menor safra de trigo desde 1919 e redução de 1,2 milhão de hectares na área de milho em 2026.
A tensão política aumenta porque, enquanto as exportações norte-americanas encolhem, o Brasil avança: o agro brasileiro fechou 2025 com recorde de US$ 169,2 bilhões em vendas externas, 3 % a mais que 2024, conquistando espaço especialmente na China.
O que produtores brasileiros devem observar na prática
1. Variação de preços internacionais: a queda contínua de grãos nos EUA tende a pressionar cotações globais, afetando planejamento de comercialização no Brasil.
2. Insumos importados: problemas logísticos e alta de fertilizantes nos EUA podem repassar custos a outros mercados, exigindo antecipação de compras.
3. Equipamentos usados: o recuo de demanda norte-americana pode aumentar a oferta de máquinas seminovas no exterior, criando oportunidade de aquisição a menor preço para quem acompanha o mercado.
O alerta, reforçado em transmissão: Record, mostra que a sustentabilidade financeira da produção depende de gestão de risco, diversificação de receitas e monitoramento constante dos custos de cada safra.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
