Preço do enxofre dispara e ameaça oferta de fertilizantes
Preço do enxofre beirando US$ 800 por tonelada, após o fechamento do Estreito de Ormuz, já força a paralisação de unidades produtoras no Brasil e no exterior, eleva o custo dos adubos fosfatados e faz executivos admitirem risco real de desabastecimento para a próxima safra.
Plantas param e mercado vê risco de falta de fertilizante
Durante evento da Argus Media, transmitido pela Band, Felipe Coutas, country manager da Itafos, foi direto: “Talvez não tenha produto mesmo”. A oferta global de enxofre encolheu, e o cenário empurra indústrias a optar por vender ácido sulfúrico em vez de formular fosfatados de baixa concentração. Nayara Piloto, gerente de vendas da EuroChem, confirmou que algumas fábricas já suspenderam atividades porque o insumo ficou caro demais ou simplesmente não chega.
O Oriente Médio, grande fornecedor mundial, produz enxofre a partir do refino de petróleo e do gás natural — rotas hoje comprometidas. A última vez que o mercado viu patamar semelhante de preço foi em 2022, no auge da crise entre Rússia e Ucrânia, e antes disso em 2008.
Frete salta 90% e China corta exportações de ácido sulfúrico
Com menor disponibilidade do insumo, o ácido sulfúrico — base para MAP e outros fosfatados — já custa cerca de US$ 300/t no spot brasileiro. Em paralelo, fretes de 20 mil t na rota Europa-Brasil subiram de US$ 42-45 para US$ 75-80 desde o início da guerra, segundo a Argus.
A situação piora porque a China, responsável por cerca de 120 milhões de toneladas anuais de ácido sulfúrico, passou a priorizar o mercado interno, o que deve derrubar suas exportações para menos de 2 milhões de toneladas até 2026. O redirecionamento pressiona ainda mais a cadeia global.
Dados da Conab mostram que o Brasil importa mais de 80 % do fertilizante que consome, o que amplia a vulnerabilidade a choques de preço e logística.
Impacto direto no campo: adubação menor e mudança de formulações
Com o custo em alta, produtores relatam intenção de reduzir a dose de fósforo em áreas consolidadas ou de migrar para produtos de menor teor, como fosfato precipitado, gesso agrícola e super simples. “Se o cenário não mudar, alguns clientes podem simplesmente deixar de aplicar fósforo”, alertou Roberto Baretto, diretor comercial da Itafos.
Segundo Piloto, opções já existentes no portfólio da EuroChem ganham força justamente por exigir menos enxofre. A Petrobras até estuda ampliar a produção nacional do insumo, mas a indústria calcula que sua oferta mensal — entre mil e duas mil toneladas — seria insuficiente frente às 2,5 milhões de toneladas que o país precisa importar.
O avanço dos preços do enxofre coloca em xeque a regularidade da adubação fosfatada e requer atenção redobrada ao planejamento de compras da próxima safra. Para acompanhar outras análises sobre custos, eficiência e rentabilidade no campo, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Agfeed Fonte: Agfeed
