Cotrisul mira intercooperação e agroindústria para crescer no RS
Cotrisul avalia unir forças com outras sete cooperativas gaúchas para cortar despesas, ganhar escala industrial e reduzir a dependência da simples venda de grãos, um movimento que pode mudar o jogo econômico de milhares de associados no Rio Grande do Sul.
Objetivo: menos custo e mais valor agregado
O presidente Gilberto Dickes de Fontoura revelou, em entrevista transmitida pela Record, que a direção estuda um modelo de intercooperação semelhante ao já visto em gigantes do Paraná e de Santa Catarina. A meta é compartilhar estruturas, negociar insumos em bloco e, no médio prazo, montar negócios conjuntos de processamento. “A tendência é desenvolvermos negócios em comum”, resume Fontoura.
Na prática, esse passo sinaliza uma guinada estratégica: sair do foco quase exclusivo na originação de soja — atividade de margem estreita e alta exposição climática — para avançar na verticalização, gerando produtos de maior valor e receitas mais estáveis.
Receita recorde impulsiona confiança
Mesmo antes da possível aliança, a cooperativa de Caçapava do Sul fechou 2025 com faturamento histórico de R$ 2 bilhões. A soja respondeu por 77,8% do total (R$ 1,5 bilhão), beneficiada pelo embarque tardio da safra anterior após as enchentes no estado. O volume enviado, que normalmente terminaria em novembro, avançou até fevereiro, turbinando as vendas.
Arroz e trigo seguem com participação tímida — juntos, somam pouco mais de R$ 140 milhões — mas o cenário pode melhorar. O arroz in natura, que chegou a recuar para R$ 53,06 em dezembro, já se aproxima de R$ 60 por saca, aliviando parte da pressão sobre os produtores.
O que intercooperação muda no campo
Se o acordo prosperar, associados podem ganhar:
- Melhor poder de compra de fertilizantes e defensivos graças a aquisições conjuntas;
- Logística integrada, reduzindo custos de transporte de grãos e produtos finais;
- Novas plantas industriais compartilhadas, ampliando oportunidade de empregos locais e retorno sobre o capital dos cooperados.
O movimento também reforça uma tendência nacional: a de cooperativas buscarem escala para competir com tradings e indústrias privadas. Segundo a Conab, o avanço da produção de soja no país pressiona margens na comercialização bruta, incentivando modelos de agregação de valor.
Perspectivas para 2026
Fontoura projeta alta de até 10% no faturamento deste ano, apoiada em perspectivas melhores de safra e na possível valorização do arroz. Nos talhões dos associados, a colheita de soja começou com boa produtividade, apesar de pontos de estiagem. “Vai ser uma safra melhor que as anteriores, mesmo sem ser ideal”, afirma.
A consolidação das negociações de intercooperação deve ganhar corpo nos próximos meses. Caso o projeto avance, os produtores poderão acompanhar uma transformação semelhante à vivida por grupos como Aurora Coop e Unium, mas agora em solo gaúcho. Para entender como iniciativas econômicas impactam eficiência e rentabilidade no campo, acompanhe nossa editoria em lavoura digital e econômica.
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