Bio
Biometano certificado acaba de se tornar realidade no Brasil: a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) credenciou o Instituto Totum como primeiro Agente Certificador de Origem (ACO) habilitado a emitir o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). A novidade cria um sistema auditável de rastreabilidade que, na prática, eleva o valor do combustível renovável e abre caminho para novos modelos de negócio no agro e na indústria.
Como funciona o novo Certificado de Garantia de Origem
Instituído pela Lei nº 14.993/2024, o CGOB atesta que o gás comercializado foi produzido a partir de fontes renováveis, como resíduos agroindustriais, de forma independente e verificável. O Instituto Totum, agora autorizado, vistoria a planta produtora, confere a documentação técnica e emite o certificado com dados de volume, localização e rota tecnológica utilizada. A proposta é alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais, inclusive com integração futura ao padrão I-TRACK(G), citado pelo diretor Fernando Giachini Lopes.
Segundo nota oficial da ANP, o selo fortalece a credibilidade do biometano junto a grandes compradores e empresas com metas ESG, fator decisivo para contratos de longo prazo e atração de investimentos externos.
Impacto direto para produtores, usinas e grandes consumidores
A certificação chega num momento estratégico. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinou que a malha de gás natural deverá incorporar, no mínimo, 0,5% de biometano já em 2026. Para cumprir a meta, distribuidoras e indústrias terão de comprovar a origem renovável do combustível, e o CGOB será a principal ferramenta de verificação.
Para usinas sucroenergéticas, cooperativas de biodigestão e confinamentos que geram biogás a partir de dejetos animais, o selo significa:
- Maior rentabilidade – produto certificado tende a receber prêmio de preço;
- Acesso a novos mercados – incluindo consumidores focados em descarbonização;
- Segurança regulatória – validação oficial reduz risco jurídico e facilita financiamentos “verdes”.
Do lado do comprador, a vantagem é dupla: além de cumprir obrigações ambientais, a empresa pode demonstrar redução efetiva de emissões no seu balanço de carbono, reforçando relatórios de sustentabilidade e comunicação com investidores.
O movimento reforça uma tendência de monetizar atributos ambientais no agro, conectando geração de resíduos, energia renovável e rastreabilidade digital. Para acompanhar mais análises sobre ganhos de produtividade e eficiência econômica no campo, visite nossa editoria de produtividade e economia no campo.
Crédito da imagem: Globorural.globo Fonte: Globorural.globo
