Salon du Chocolat no Brasil: edição de €1,5 mi fortalece cacau
Salon du Chocolat no Brasil foi confirmado para dezembro de 2026 com investimento entre € 1 milhão e € 1,5 milhão, quantia que deve criar nova vitrine internacional para o cacau brasileiro e abrir rotas de negócios além da lógica de commodity.
Do sul da Bahia aos grandes centros globais
A franquia brasileira será conduzida pelo publicitário Marco Lessa, CEO do Grupo M21, que há três décadas articula eventos voltados à verticalização do cacau. Depois de inserir produtores nacionais na feira parisiense, o executivo assume agora a responsabilidade de trazer o salão ao território brasileiro, somando o país a um circuito restrito que inclui Paris, Tóquio, Nova York e Dubai.
Para o setor, o movimento consolida uma estratégia de longo prazo iniciada após a crise da vassoura-de-bruxa no final dos anos 1980. “Queremos que o produtor participe de um mercado de valor agregado, não apenas de amêndoas in natura”, resume Lessa. A edição brasileira prevê exposição, rodadas de negócios e possibilidade de contratos de fornecimento de médio e longo prazos.
Impacto econômico: da feira aos contratos
Em Paris, o Salon du Chocolat gira cerca de € 10 milhões em cada edição. A organização espera potencial semelhante por aqui, considerando que o mercado interno de chocolate foi avaliado em US$ 3 bilhões em 2025, segundo a consultoria IMARC. A projeção chega a US$ 4,1 bilhões até 2034, crescimento anual de 3,84%.
O Brasil tem posição estratégica: produz e consome cacau e chocolate, algo raro entre os países do circuito global. A cultura já alcança 24 estados, ampliando oferta e diluindo riscos regionais. Segundo dados da Embrapa Cacau, a expansão de áreas cultivadas na Amazônia e no Nordeste deve reforçar a disponibilidade de amêndoas com selo de origem nos próximos anos.
Três cidades disputam a sede
São Paulo, Salvador e Belém estão no páreo. Cada uma oferece vantagem distinta: a capital paulista concentra consumo e investidores; Salvador liga o evento à história da cacauicultura baiana; Belém simboliza a nova fronteira amazônica do cacau de origem. A decisão deve sair até o fim de abril, equilibrando logística, mercado e projeção internacional.
Complementaridade com o Chocolat Festival
Lessa afirma que o novo salão não substituirá o já tradicional Chocolat Festival, realizado desde 2009. Enquanto o festival atua no fortalecimento da base produtiva, o Salon du Chocolat funcionará como vitrine global, conectando chocolatiers estrangeiros a produtores brasileiros. “São ações complementares que criam um ecossistema mais robusto para toda a cadeia”, explica.
O que muda para o produtor na prática
1. Maior exposição a compradores internacionais dispostos a pagar prêmio por qualidade e origem.
2. Possibilidade de contratos diretos que reduzem intermediação e aumentam margens.
3. Estímulo a práticas sustentáveis e certificações, cada vez mais exigidas por grandes marcas.
4. Pressão positiva por tecnologia pós-colheita, já que padronização e rastreabilidade são diferenciais na negociação.
Na prática, produtores que investirem em fermentação adequada, controle de umidade e narrativa de terroir poderão acessar faixas de preço que superam o cacau de bolsa, elevando renda e diluindo riscos climáticos ou de mercado.
Com a confirmação da feira, o país dá mais um passo para se posicionar como referência em qualidade e inovação na cadeia do cacau. Para acompanhar outras iniciativas que unem produtividade, eficiência econômica e valor agregado no campo, visite nossa editoria em Lavoura Digital & Econômica.
Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
