Arroba do boi gordo sobe após foco de aftosa na China
Arroba do boi gordo voltou a ganhar fôlego nesta quinta-feira (2) e já é negociada perto de R$ 364 em São Paulo, impulsionada pela notícia de um foco de febre aftosa na China e pela oferta curta de animais prontos para abate, segundo a consultoria Safras & Mercado.
Oferta enxuta pressiona frigoríficos e encurta escalas
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, muitos frigoríficos enfrentam dificuldade para compor lotes e sinalizam redução no ritmo de processamento. Com menos boiadas disponíveis, as escalas de abate permanecem curtas e o comprador é forçado a pagar mais para garantir matéria-prima.
A elevação se espalhou por todos os principais estados produtores:
- São Paulo: R$ 363,67 (+R$ 1,84 em 24 h)
- Goiás: R$ 346,61 (+R$ 4,65)
- Minas Gerais: R$ 351,76 (+R$ 1,47)
- Mato Grosso do Sul: R$ 356,36 (+R$ 4,43)
- Mato Grosso: R$ 360,14 (+R$ 1,63)
Na prática, quem tem animal terminado consegue negociar em patamares mais altos e reduzir ociosidade de cocho, enquanto o frigorífico lida com custo maior para atender contratos de carne in natura e industrializados.
Foco de aftosa na China acende alerta, mas ainda sem travar comércio
O surto foi identificado em centenas de cabeças, porém classificado como pontual pelas autoridades chinesas. Ainda assim, o episódio reforçou a preocupação com a segurança do rebanho local e gerou expectativa de compras extras de carne bovina no mercado internacional caso a doença se alastre.
Para Iglesias, se o problema ficar restrito, a dinâmica atual de exportação — já acelerada — deve se manter. Contudo, um cenário de disseminação ampliaria a dependência chinesa do produto brasileiro e sustentaria preços firmes no curto prazo. Dados do Ministério da Agricultura mostram que o Brasil permanece livre de aftosa com vacinação, fator decisivo para manter acesso ao maior comprador do planeta.
Atacado reage, mas proteínas rivais limitam repasse ao varejo
No atacado, o dianteiro bovino liderou a alta do dia, favorecido pela reposição típica de início de mês com dinheiro novo na praça. O traseiro permaneceu estável em R$ 27,50/kg, enquanto cortes premium como picanha e filé-mignon recuaram levemente, reflexo da concorrência de frango e suíno mais baratos.
Segundo o especialista, o consumidor ainda busca alternativas mais acessíveis, o que deve impedir saltos bruscos nos próximos dias. Mesmo assim, o ambiente sugere sustentação até que a oferta de boiadas melhore ou que as exportações percam ritmo.
Dólar estável ajuda a travar margens de exportação
A moeda norte-americana encerrou praticamente estável, a R$ 5,16, acumulando queda de 1,5 % na semana. A combinação de câmbio atrativo e preços internacionais firmes mantém a competitividade do embarque de carne brasileira, reforçando a disputa por matéria-prima dentro do país.
O avanço da arroba ocorre em um momento de oferta curta e incerteza sanitária no principal mercado comprador. Para acompanhar outros movimentos que afetam custos, rentabilidade e gestão econômica da produção, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
Crédito da imagem: Canalrural Fonte: Canalrural
