Boi gordo rompe R$ 361/@ e início de abril reflete oferta curta
Boi gordo abriu abril valendo mais de R$ 361 por arroba, segundo consultorias de mercado, sinalizando um cenário de oferta restrita, escalas de abate enxutas e demanda externa firme que exige atenção imediata do pecuarista.
Escalas curtas reforçam poder de barganha do produtor
De acordo com analistas ouvidos pelo mercado, os frigoríficos iniciaram o mês com escalas de abate entre três e quatro dias úteis, abaixo da média confortável de uma semana. Essa limitação força a indústria a elevar as ofertas para garantir matéria-prima, empurrando a arroba do boi gordo acima do patamar psicológico de R$ 360. No fechamento de 1º de abril, negócios pontuais já foram registrados em R$ 363/@ em praças do Centro-Oeste.
Para o produtor, a combinação de pastagens ainda sustentadas pelas últimas chuvas e custo de retenção menor que no confinamento cria margem para segurar o gado e negociar com calma. Na prática, quem conseguir alongar a entrega tem chance de capturar valores superiores ao observado em março, quando a arroba girava em torno de R$ 350.
Exportação aquecida amplia sustentação dos preços
A demanda internacional continua a ser um dos pilares da firmeza do mercado. Em março, os embarques brasileiros de carne bovina in natura somaram cerca de 200 mil toneladas, montante considerado robusto para o período, reforçando a disputa pelos animais prontos. Segundo dados do Cepea/Esalq, o volume exportado mantém ritmo superior ao de 2023, atenuando o efeito da menor procura interna típico do início do segundo trimestre.
O reflexo imediato é a valorização do boi destinado ao mercado chinês, tradicionalmente mais bem pago. Consultorias apontam ágio de até R$ 10/@ sobre o animal padrão doméstico, diferença que estimula a classificação especial nos confinamentos que já programam lotes de inverno.
O que monitorar nas próximas semanas
Apesar do tom positivo, três variáveis merecem monitoramento de perto: i) evolução do clima e da disponibilidade de pasto, que pode determinar o ritmo de venda; ii) tendência cambial, fundamental para a competitividade da carne brasileira lá fora; iii) política de compra da indústria, que pode ajustar escalas via importação de gado em pé de países vizinhos ou escalonar férias coletivas para segurar custos.
Produtores com boiada pronta devem avaliar o custo de oportunidade entre vender agora a R$ 361/@ ou apostar em novas altas, considerando custo de manutenção e possível mudança no quadro de oferta ao fim do outono. Já quem depende de reposição deve ficar atento ao preço do bezerro, que tende a reagir diante da maior margem do terminador.
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Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
