Vendas de máquinas agrícolas caem 8% em 2026, diz Abimaq
Vendas de máquinas agrícolas devem recuar 8% em 2026, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A revisão para baixo, anunciada por Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, acende o alerta para produtores que planejam renovar a frota ainda neste ano.
Câmbio favorável ao real e crédito caro travam negócios
De acordo com Estevão, a estimativa anterior apontava alta de 3,4%, mas a combinação de real valorizado, Selic elevada e custos de insumos pressionados pela guerra no Oriente Médio mudou o cenário. “Quando a moeda brasileira se fortalece, o produtor recebe menos em reais pelas commodities. Ele acaba priorizando o custeio e adia investimentos”, explicou.
O efeito já aparece nos números: no primeiro bimestre de 2026, as vendas de tratores e colheitadeiras encolheram 17% em comparação a igual período do ano passado. Bancos também endureceram as regras de concessão — um atraso já pode bloquear novos financiamentos. Resultado: recursos de programas como o Moderfrota permanecem disponíveis, mas o agricultor evita comprometer fluxo de caixa com juros de dois dígitos.
Agrishow sem meta oficial e indústria focada em descontos
Organizadores da Agrishow, maior feira de máquinas do país, preferiram não divulgar meta de negócios para a edição de 27 de abril a 1º de maio. Em 2025, o evento movimentou R$ 14,6 bilhões. Para este ano, a própria Abimaq admite que o volume pode ser menor, embora fabricantes e bancos prometam condições especiais para estimular a compra durante a feira.
Um ponto positivo é o avanço das vendas para pequenos produtores e agricultura familiar — segmento impulsionado por programas governamentais e que cresceu 20% no primeiro semestre de 2025. Setores como café, pecuária e citros mantêm apetite por equipamentos de menor porte, sinalizando nichos de resistência à retração geral.
Para quem ainda avalia investir, Estevão recomenda atenção às oportunidades pontuais na Agrishow e comparação entre linhas de crédito próprias das montadoras e o financiamento oficial. Estudos sobre mecanização, como o divulgado pela Embrapa, mostram que a renovação do maquinário aumenta a eficiência operacional e reduz o consumo de combustível em até 15%.
A expectativa da Abimaq é que um eventual corte na taxa básica de juros ou uma nova desvalorização do dólar possam destravar pedidos no segundo semestre, mas, por ora, a orientação é cautela. Para seguir acompanhando indicadores de custos, produtividade e impacto econômico no campo, visite nossa editoria de lavoura digital e econômica.
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