Resistência da cigarrinha-do-milho avança e põe manejo em alerta
Resistência da cigarrinha-do-milho a inseticidas de referência já é realidade em importantes polos produtores brasileiros, segundo boletim do IRAC-Brasil e estudos da ESALQ/USP. O avanço atinge piretroides e neonicotinoides, grupos decisivos no controle rápido da praga, e aumenta o risco de quebras de produtividade justamente no estágio mais sensível do milho (VE a V5).
Resistência confirmada em piretroides e neonicotinoides
Pesquisas conduzidas no Laboratório de Resistência de Artrópodes da ESALQ/USP, compiladas pelo Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC), detectaram populações de Dalbulus maidis com altas razões de resistência a bifentrina, lambda-cialotrina, acetamiprido e imidacloprido. Em linhagens expostas constantemente a imidacloprido, a resistência saltou de 1.397 para 8.871 vezes em apenas 11 gerações. Já em populações sem pressão do produto, o patamar caiu para 105 vezes, indicando que a resistência é instável, porém preocupante quando o mesmo modo de ação é repetido safra após safra.
Cruzamentos recíprocos mostraram herança autossômica, incompletamente dominante e poligênica, o que favorece a disseminação do traço. Além disso, testes de resistência cruzada revelaram que a linhagem Imi-R mantém alto nível de tolerância a outros piretroides e neonicotinoides, dificultando a escolha de moléculas alternativas dentro desses grupos.
Resultados semelhantes já haviam sido relatados por Machado et al. (2024), reforçando que o problema evolui ciclo a ciclo. Para entender melhor a dinâmica de resistência em pragas, a Embrapa disponibiliza material técnico atualizado sobre Manejo Integrado de Pragas (MIP) no milho (confira aqui).
Por que o avanço preocupa produtores
A cigarrinha-do-milho é vetor dos enfezamentos, capazes de inviabilizar colheitas inteiras. O curto ciclo da praga e sua alta mobilidade exigem aplicações sucessivas de inseticidas para proteção da lavoura nos primeiros 30 a 35 dias após a emergência. Se o produto aplicado perder eficácia, a janela de reação é curta e o dano se multiplica.
Além da quebra direta no rendimento, a resistência encarece a operação: aumenta o número de aplicações, eleva o custo por hectare e pressiona margens em um cenário de insumos já mais caros. Há ainda o risco de perda de moléculas estratégicas antes da chegada de novas soluções ao mercado, o que afetaria todo o setor a médio prazo.
Estratégias práticas para retardar a perda de eficiência
Especialistas recomendam montar o programa de manejo integrado combinando:
- Rotação de inseticidas de diferentes grupos químicos a cada aplicação, evitando pressão seletiva contínua.
- Monitoramento semanal com pano de batida para ajustar o nível de controle à população presente.
- Semeadura escalonada e eliminação de plantas voluntárias, reduzindo a ponte verde que mantém a praga ativa.
- Uso de sementes tratadas e, quando disponível, híbridos tolerantes aos enfezamentos.
- Integração com ferramentas biológicas e armadilhas adesivas para diminuir a dependência química.
Na prática, o ponto que mais chama atenção é o tempo de resposta: quanto mais rápido o produtor alternar modos de ação e adotar estratégias não químicas, menor a chance de ver a resistência ganhar força no talhão.
A evolução da tolerância da cigarrinha reforça a necessidade de programas de proteção inteligentes e atualizados. Para acompanhar outras soluções de manejo e prevenção de perdas no campo, visite nossa editoria Proteção Inteligente no Campo.
Crédito da imagem: Maissoja Fonte: Maissoja
