Javalis nas zonas rurais: pesquisa da Faesc mapeia ameaça às lavouras
Javalis nas zonas rurais viram alvo de um novo estudo patrocinado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), que quer quantificar a presença do animal invasor, avaliar o impacto direto sobre as lavouras e indicar medidas de contenção que possam ser adotadas já na próxima safra.
Pesquisa quer dimensionar danos e orientar controle
A Faesc confirmou apoio logístico e financeiro a uma equipe de pesquisadores que percorrerá diferentes microrregiões catarinenses nos próximos meses. O grupo realizará entrevistas com produtores, coletará registros fotográficos e analisará vestígios em plantações de milho, soja, trigo e hortaliças. Os dados devem gerar um relatório técnico com estimativas de:
- áreas mais críticas de ataque;
- percentual médio de perdas por talhão;
- comportamento do javali em relação a culturas específicas;
- recomendações de manejo que respeitem a legislação ambiental.
Segundo a entidade, o material servirá de base para pleitos junto a órgãos públicos e para a construção de protocolos de atuação conjunta entre produtores, sindicatos rurais e poder público.
Por que o avanço do javali preocupa produtores de SC
Além de destruir plantações em poucas horas, o Sus scrofa (javali-europeu) é considerado agressivo, oferecendo risco a pessoas e animais domésticos. Em Santa Catarina, relatos de investidas noturnas vêm se multiplicando. A Faesc alerta que o custo para replantio e a perda de produtividade pesam no bolso do produtor justamente em um cenário de margens apertadas.
O problema não é exclusivo do estado. Estudo da Embrapa classifica o javali como uma das 100 espécies exóticas mais nocivas do mundo, capaz de carregar pragas, competir com a fauna nativa e favorecer erosão do solo.
Embora a caça controlada seja permitida sob autorização do Ibama, falta informação padronizada sobre onde e quando agir. É justamente essa lacuna que o levantamento da Faesc pretende preencher. “Sem dados concretos, não há estratégia eficiente”, resume a federação em nota.
O relatório final deve ser divulgado ainda neste ano. Até lá, a entidade recomenda que produtores mantenham contato com sindicatos locais para relatar ocorrências e evitar ações isoladas que possam aumentar o risco de acidentes.
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Crédito da imagem: Comprerural Fonte: Comprerural
