Safra de soja 2025/26 sobe para 178,4 mi t, aponta AgRural
Safra de soja do Brasil foi revisada para cima pela AgRural e agora é estimada em 178,4 milhões de toneladas na temporada 2025/26, 400 mil t a mais que o cálculo anterior. A correção reflete ganho de produtividade em Estados-chave, sobretudo Mato Grosso, e chega em momento de decisão sobre vendas antecipadas e planejamento da próxima safra.
Produtividade em Mato Grosso sustenta a revisão
Segundo a consultoria, a elevação decorre de lavouras mais vigorosas em Mato Grosso, onde o ciclo 2025/26 mostra médias acima do esperado graças a chuvas regulares no enchimento de grãos. O avanço compensa perdas registradas no Rio Grande do Sul, único Estado que teve novo corte na estimativa devido à estiagem prolongada. Detalhes sobre o volume gaúcho não foram divulgados, mas a AgRural ressalta que o impacto negativo no Sul ficou aquém do ganho observado no Centro-Oeste.
Até 20 de março, 75 % da área nacional de soja já havia sido colhida, ante 68 % na semana anterior e 82 % em igual período do ano passado. O ritmo mais lento, ligado a janelas de chuva em fevereiro, não impediu a melhora no rendimento médio.
Estiagem gaúcha também pressiona o milho safrinha
No milho, o cenário é inverso: a projeção total para 2025/26 caiu de 136,2 milhões para 135,7 milhões de toneladas. O ajuste deve-se sobretudo à redução de área do milho safrinha em regiões onde o plantio atrasou além da janela ideal. A semeadura está praticamente concluída no Centro-Sul, com exceção do Paraná.
No norte paranaense, parte das áreas que perderam o timing migraram para trigo ou coberturas de inverno. Já no oeste do Estado, produtores relatam perdas consolidadas em talhões que entraram na fase reprodutiva sob déficit hídrico. Mesmo com chuvas pontuais na última semana, a umidade do solo permanece abaixo do ideal.
O que muda na prática para quem produz e vende grãos
Para o sojicultor, a nova estimativa indica oferta ligeiramente maior, o que pode pressionar preços domésticos se a demanda externa não reagir no mesmo ritmo. Por outro lado, quem teve produtividade acima da média tem chance de compensar eventuais recuos de cotação. No milho, a menor área plantada tende a sustentar valores no Centro-Sul, sobretudo se o clima seguir irregular.
Produtores que ainda avaliam vendas futuras encontram ambiente de mercado menos previsível e podem considerar a divisão de lotes entre contratos a termo e negociação spot. Já cooperativas e indústrias devem ajustar logística e capacidade de armazenagem à revisão de volume.
Para acompanhar comparativos oficiais de produção e área, vale conferir o Painel de Safras da Conab, que será atualizado nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Forbes Fonte: Forbes
